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Festa "Quintarrada" comemora sua 100ª edição

Como uma aposta, Félix Robatto – exímio músico e pesquisador sobre ritmos regionais – tentou a sorte: há dois anos criou a festa “Quintarrada”, para tocar cúmbia, brega, lambada, guitarrada e outros gêneros, sempre às quintas-feiras no bar Templários, em

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Como uma aposta, Félix Robatto – exímio músico e pesquisador sobre ritmos regionais – tentou a sorte: há dois anos criou a festa “Quintarrada”, para tocar cúmbia, brega, lambada, guitarrada e outros gêneros, sempre às quintas-feiras no bar Templários, em Belém. A ideia de se apresentar com um repertório das já famosas músicas caribenhas e latinas e também suas produções autorais foi tomando forma como mais um produto de sua carreira, que começou ainda na adolescência tocando percussão, teve sua grande virada com o grupo La Pupuña e agora segue em produção solo, já em preparação do segundo disco.

Para Félix, a festa é hoje a somatória de todas essas experiências e, ao que tudo indica, ter feito a aposta deu certo, mesmo com a desconfiança inicial se o novo projeto realmente seria aprovado pelos clientes do espaço, então conhecido por noites mais dedicadas ao pop-rock. “Eu precisava tocar para entrar em contato com as pessoas, formar público e mostrar a minha produção. A gente já tinha um público certo com o La Pupuña, mas espalhado em diversos lugares. Dessa vez, eu queria algo certo em um espaço único. E assim, pensei primeiro na quarta-feira, mas a quinta era o dia livre na casa”, recorda.

Fechado o acordo com os gestores do Templários, chegou o momento de escolher o nome do evento. O músico não conseguia decidir. Foi quando resolveu comentar o assunto com o técnico de estúdio Ulysses Moreira, que prontamente respondeu: “Félix, a festa é a quintarrada!”. E assim começaram a chamar a festa, com o neologismo a propósito de explicar de cara o evento. No início, o instrumentista e cantor se apresentava solo, com sua banda. Mas foi com a chamada dos convidados que a festa tornou-se potencialmente mais atrativa para os frequentadores. “Nas primeiras edições, tínhamos apenas quatro mesas ocupadas, não ganhávamos com a bilheteria”, relembra.

Nomes como Nelsinho Rodrigues, Wanderley Andrade, Keila Gentil, Gaby Amarantos, Mestre Vieira, Pinduca, Kim Marques e bandas como Xeiro Verde, Fruto Sensual, Strobo, entre outros, passaram a dividir o palco com Félix Robatto, ora juntos, ora fazendo seu próprio show também para dinamizar o espetáculo. E assim lá se vão dois anos e 100 edições do baile, aniversário que será comemorado hoje. “Comecei a pensar na festa como algo maior, para celebrar a música paraense. Várias bandas começaram a tocar novamente e a movimentar de novo a noite. Agora penso também em fazer algo como uma lojinha para as pessoas poderem ter acesso a CDs e outros produtos”, diz Félix, que na festa de hoje terá a participação de Keila Gentil, Piña Colada, Joba (Warilou), Eraldo Ramos (Fruta Quente), Xeiro Verde, M’Synk, Jorginho, Carimbó Pirata e DJ Dinho. Félix, claro, é a grande atração da noite, acompanhado pela banda formada por Adriano Sousa (bateria), Adalberto Jr. (baixo), Ytanaã Figueiredo (percussão e backing vocal) e SM Negrão (teclado, sampler e backing vocal).

QUINTARREIROS DE CARTEIRINHA

O sucesso da festa se mede pelo público, e isso Félix agradece. A cada edição, a casa fica cheia. São pessoas como o técnico em telecomunicações Godofredo Élleres, de 63 anos, que frequentou quase todas as “Quintarradas”, desde a segunda edição do evento. Para ele, poder dançar é o principal atrativo.

“Dificilmente deixo de ir. Gosto de música regional, mas confesso que muitos dos artistas eu não conhecia. E hoje admiro muito o trabalho deles. De tanto ir para a festa, acabamos formando um grupo de amigos”, celebra Godofredo.

O músico Félix Robatto queria formar público e conseguiu: hoje, a Quintarrada é uma das festas mais movimentadas de Belém. (Foto: Thiago Araújo/Divulgação)

A servidora pública Rita Conte também faz parte do grupo. Ela costuma frequentar a festa pelo menos duas vezes por mês e destaca que a proposta do evento chamou sua atenção. “Gosto de música paraense, da Amazônia, mas a cidade não tinha uma festa assim, só as aparelhagens mesmo. Daí se você quisesse ouvir um carimbó ou uma lambada, não tinha onde. Por conta disso, passei a frequentar. É muito animada, nosso astral fica lá em cima. Agora fizemos até uma brincadeira, que somos os ‘quintarreiros’”, declara Rita.

Essa proximidade rendeu também a Félix novas amizades. Segundo o músico, são pessoas que hoje frequentam a sua casa e participam de momentos como almoços aos finais de semana e aniversários. “Já fizeram até festa surpresa para mim, me fizeram chorar”, comenta o músico.

DANCE

“Quintarrada” – 2 anos e 100 edições, com Félix Robatto e banda, e participação de Keila Gentil, Piña Colada, Joba (Warilou), Eraldo Ramos (Fruta Quente), Xeiro Verde, M’Synk, Jorginho, Carimbó Pirata e DJ Dinho
Quando: Hoje, a partir das 22h
Onde: Templários (Rua 28 de setembro, 1155)
Informações: (91) 3224-4070
Quanto: R$ 30

(Dominik Guisti)

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