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Gastronomia paraense na ponte aérea

O Razzmatazz é um bar inspirado na cidade industrial de Manchester, tem sofás e tijolos aparentes nas paredes, além de drinques e música indie britânica. Tudo isso no coração da Vila Madalena, em São Paulo. Mas o que tem feito sucesso mesmo não vem da Eur

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O Razzmatazz é um bar inspirado na cidade industrial de Manchester, tem sofás e tijolos aparentes nas paredes, além de drinques e música indie britânica. Tudo isso no coração da Vila Madalena, em São Paulo. Mas o que tem feito sucesso mesmo não vem da Europa ou da metrópole paulista. No petisco e na caipirinha tem jambu e, acompanhando o porco empanado, o tucupi. Com um cardápio “enxuto, mas caprichado”, o lugar investiu em uma tendência que se provou lucrativa: a culinária paraense.

“A gente sempre teve a ideia de colocar ingredientes paraenses no cardápio. A gastronomia paraense está bastante em evidência no país”, comenta Aloízio Nascimento. Ele e Natália Silva, ambos paraenses, abriram o bar em julho de 2014, tendo a coxinha cremosa de frango como seu principal petisco. “Coxinha é algo muito comum aqui em São Paulo e que as pessoas adoram”, comenta Aloízio.

A diferença é que a do Razzmatazz traz jambu, requeijão – o que dá a cremosidade – e pimenta cumari, que em Belém é conhecida como pimenta de cheiro. “Foi um pouco de risco. Tem várias modalidades de coxinha em São Paulo, mas não com jambu. E o que acontece é que estava querendo fazer algo diferenciado”, diz ele.

A ideia foi da chef Niceise Ribeiro, que trabalha diretamente para o bar e também é paraense. Ainda pela sugestão da chef, o prato é servido em uma porção com seis coxinhas que ganhou o nome de Flaming Lips, ganhando assim um pouco da identidade britânica do bar. Além desta, a outra poção, a Love Spreads, traz nove pastéis, sendo três deles recheados de palmito com jambu.

Petiscos de jambu são destaques no cardápio do bar Razzmatazz. (Foto: Divulgação)

“Este mês, estreamos um petisco novo, o bolinho de maniçoba. Até agora, o mais diferente de todos”, conta. E apesar de ter muitos clientes paraenses, os paulistas também acabam descobrindo estas opções diferenciadas e gostando, juntamente com os turistas estrangeiros, para os quais cada petisco é mais diferente ainda.

À moda de Belém

Há alguns anos mais nessa aposta pela culinária paraense fora de casa, Castilhos Jr. é outro paraense que optou por se instalar em outro estado, o Rio de Janeiro. Do coração de Ipanema, a uma quadra da praia mais charmosa do país, passou a apresentar o Pará ao mundo através da Amazônia Soul.

Segundo Castilhos, o lugar é como um “bistrô bem descolado”, que oferece a gastronomia paraense de forma autêntica. “A maniçoba é preparada exatamente como em Belém, assim como o tacacá e o vatapá. No caso do açaí, no Rio de Janeiro já se consome mais açaí que em Belém, são cerca de 100 mil postos de venda na cidade. A diferença é que a gente sempre recomenda tomar à moda de Belém”, diz ele.

O objetivo era não ter que ficar esperando o mercado nacional e internacional ir até o Pará para poder conhecer o que ele tem a oferecer. “O Rio de Janeiro é a principal porta de entrada de turistas internacionais no Brasil e também de turistas nacionais. Existe ainda uma atenção muito grande em torno de Ipanema. É o bairro onde se criam as tendências, desde atitudes aos produtos do momento”.

Dentre os clientes mais famosos do bistrô, estão Glória e Cléo Pires, Eriberto Leão, Rodrigo Santoro, a atriz italiana Monica Belucci, Jim Caviezel e a estrela do UFC Ronda Rousey. Todos dispostos a saborear um pato no tucupi ou uma sopa de caranguejo à moda de São Caetano de Odivelas, algumas das especialidades da casa que rendem um bom papo durante a degustação.

O preço, é lógico, é muito superior se comparado ao que é vendido no Pará. Mas tanto Aloízio, em São Paulo, quanto Castilhos, no Rio, explicam que a causa são os gastos com transporte. Afinal, a 25 de Março e o Saara não são como o Ver-o-Peso, sempre com um carregamento de açaí, tucupi e outras iguarias chegando cedinho à feira. O dono do Razzmatazz explica que ao menos conseguiu avançar na logística.

“No início foi um pouco mais difícil, tinha que ir a Belém, comprar e voltar com um isopor enorme no avião, pagava um valor absurdo de excesso de bagagem. Hoje ainda sai por um preço elevado, mas conseguimos os produtos de forma mais cômoda através da Combu Produtos da Amazônia, distribuidora de uma amiga nossa que faz a entrega diretamente no bar – o que já é um grande avanço”, comenta. Agora, o paraense já consegue incluir até no cardápio de drinques algumas novidades, como uma caipirinha feita com cachaça de jambu.

Para saborear

Bar Razzmatazz

Especialidade: Coxinha de frango com jambu

Onde: Rua Wisard, 271 – Vila Madalena, São Paulo (SP)

Horário: 18h à 01h (terça a sábado)

Contato: (11) 2738-8522

Restaurante Amazônia Soul

Especialidade: Açaí, tacacá, maniçoba e caranguejo

Onde: Rua Teixeira de Melo, 37 – Ipanema, Rio de Janeiro (RJ)

Horário: 11h às 21h (diariamente)

Contato: (21) 2247-1028

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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