Com a força da organização política e de diversos movimentos sociais, a rua do século passado foi hoje potencializada pelas discussões na web. São sites, blogs, fanpages que usam a palavra-chave nessa primeira década do século 21: empoderamento – que tem origem na palavra inglesa empowerment e significa, de forma geral, que as mulheres têm o poder de lutar por igualdade de gênero.
A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie tem disponível para download gratuito, por exemplo, o livro “Sejamos Todas Feministas”, na qual ela compila um discurso seu disponível em vídeo no Youtube.
A jornalista Lígia Bernar, que é especialista em mídias sociais e estudiosa do feminismo, acredita que a discussão permanente na rede democratiza o acesso às informações sobre o tema, ao mesmo tempo que possibilidade diálogos entre os apreciadores do assunto. “Existem várias frentes de discussão, como o feminismo classista, o político, o que trata de sexualidade. E essas discussões são constantes na web. Acompanho o blog ‘Think Olga’, ‘Ovelha’ e ‘Revista DR’, ‘Lugar de Mulher’. Também tem as filósofas Djamila Ribeiro e Márcia Tiburi”, diz.
Monique Malcher, também jornalista, acha benéfico que o feminismo seja discutido em âmbito virtual, mas pondera que o movimento necessita também de ações práticas cotidianas, em casa, nos ambientes de trabalho, em locais públicos.
Monique dedica-se aos estudos sobre transfeminismo e teoria Queer, que discute a questão pelo viés dos homens que se transformaram mulheres e os embates sociais que esse tipo de transformação causa. “A filósofa norte-americana Judith Butler tem um livro que é o “Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade”, no qual ela defende que os gêneros são atuações. Então, a gente aprende e atua como ser mulher e como ser homem, o que é socialmente construído. Recentemente, passei a atuar como drag também para entender mais esse universo, com a Cílios de Nazaré [drag encarnada por Monique], para fazer uma brincadeira entre sagrado e o profano”, explica a jornalista.
(Diário do Pará)
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