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Vida traduzida pela arte

“Tem que se atirar de cabeça, sem rede embaixo”, diz a atriz Rosamaria Murtinho sobre a maneira como deve se conduzir a construção de um personagem. Radicada no Rio de Janeiro desde a infância, a atriz paraense comemora 60 anos de carreira este ano. E sua

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“Tem que se atirar de cabeça, sem rede embaixo”, diz a atriz Rosamaria Murtinho sobre a maneira como deve se conduzir a construção de um personagem. Radicada no Rio de Janeiro desde a infância, a atriz paraense comemora 60 anos de carreira este ano. E sua afirmativa parece estar muito ligada à maneira como encara a profissão: com muita dedicação e empenho. Quando em temporada de novela ou peça, ela diz que é “só estudar, decorar, vai para casa tomar uma sopinha, dorme, acorda e volta para o ensaio”, diz ao Você.
A carreira começou ao acaso, não foi nada pensado, escolhido. Após uma temporada nos Estados Unidos, ainda na adolescência, quando Rosamaria pensava em fazer o curso de Direito ou mesmo ser bailarina, o seu irmão Carlos Murtinho a indicou para substituir uma atriz que estava doente e não poderia cumprir o papel em uma das peças do grupo Studio 53, dirigida pelo jornalista e escritor Paulo Francis. “Bota a sua irmã mesmo”, teria dito Francis a Carlos. Rosamaria, com então 18 anos, topou a oferta.

“Eu fui muito incentivada pelo meu irmão. Eu fazia dança, nem pensava em fazer teatro, em ser atriz. Então, foi tudo de repente mesmo, ao acaso. O teatro me chamou”, diz Rosamaria.

A estreia como atriz profissional foi em 1955, com a peça “Sua Excelência em 26 Poses”, de Silveira Sampaio e Delmo Vasconcelos. No período inicial, Rosamaria participou de diversas companhias no Rio de Janeiro. Destaca-se a participação em “A Rosa Tatuada” (1957), de Tennessee Williams, pela companhia de Maria Della Costa; “A Gaivota” (1959), de Anton Tchecov, e “Os Pequenos Burgueses” (1962-1963), de Máximo Gorki, encenadas pelo Teatro Oficina, do diretor José Celso Martinez Corrêa.

Foi no grupo de Zé Celso que ela diz ter entendido o teatro como possibilidade de descoberta de si mesma. “Não era apenas o decorar pelo decorar, mas estudar o que realmente o texto quer dizer. Comecei a fazer coisas mais sérias. Foi uma grande descoberta para mim”, revela.

O diretor russo Constantin Stanislavski teve grande influência nesse período e na formação de Rosamaria. “O teatro era uma novidade e ele era o grande mestre da encenação. Era uma espécie de um grande laboratório”, diz a atriz.

Com sua enérgica passagem pelos palcos, logo foi chamada para atuar na televisão. Sua primeira novela na Rede Globo foi “O Santo Mestiço”, em 1968. Até hoje, tem 28 novelas em seu currículo, como a primeira versão de “Pecado Capital”, em 1975, e “Vereda Tropical” (1984), “A Próxima Vítima” (1995) e “Amor à Vida” (2013), além de minisséries e outros projetos.

Perto de completar 80 anos, Rosamaria diz que pensa em encerrar a carreira, mas também não tem certeza se é realmente algo que deseja. “Penso que já trabalhei muito, mas logo depois desisto, e digo: ‘vamos esperar mais um pouquinho’”, diz, rindo da própria indecisão.

(Dominik Gusti/Diário do Pará)

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