Às vezes, ele é pura sofrência. Em outras, é o cara que esnoba a mulher que um dia não o quis mais. É difícil entender quem é Wesley Safadão, um cara que começou forrozeiro, hoje se rende àquele híbrido entre forró-sertanejo-arrocha que toma conta das badalas (e que alçou outros ídolos musicais ao estrelato, como Lucas Lucco e Luan Santana) e consegue arrebatar fãs até entre pessoas que sempre torceram o nariz para esse tipo de segmento musical mais popular, que se notabiliza por letras que falam de amores, dores (de amores), carros, uísques, vodkas, gelo e Red Bull.
“Para dar a volta por cima tem que ser com o Safadão”, grita o cantor durante o show que reuniu 45 mil fãs do Brasil inteiro (incluindo muitos paraenses) em Brasília. Com uma estrutura digna de megapopstar e 27 músicas no repertório ele mostra, nesta superprodução, que o forrozeiro acanhado dos tempos de banda Garota Safada ficou para trás e hoje seus adoradores, que o endeusam, têm em São Safadão um líder a quem seguem como em uma seita pela elevação da autoestima. Suas músicas, que oferecem várias opções de como dar a volta por cima em relacionamentos frustrados, são costuradas por frases motivacionais, e em êxtase o povo se diverte e levanta a moral. Nessa hora dá para ver que homens e mulheres não se diferem ao cantar o sofrimento do coração.
“Eu te disse que falar de mim é fácil; difícil é arranjar outro melhor do que eu”.
“É melhor chorar por alguém do que nunca ter amado”.
“E para você que já sofreu em uma paixão, enche teu copo e vamos beber que amar tá complicado pra todo mundo”.
Essas são algumas frases de Safadão cantadas à exaustão pelos fãs. É como se ele acertasse sempre no alvo, falando aos corações apaixonados e/ou desiludidos. É,talvez por cantar coisas simples com as quais todos se identificam, que esteja o segredo de tanto sucesso. Assim, para deixar a alma lavada, os fãs pagam qualquer preço [lotes do próximo show em Belém no mês de abril começaram com ingressos sendo vendidos por R$ 70, que esgotaram em algumas horas, e em menos de 24h já alcançavam o valor de R$ 300].
Mas o leitor pode questionar essa verdade, afinal outros cantores românticos também falam direto ao coração. E aí é nesse momento que baixam as críticas de que Safadão é brega, faz tipo, é um fenômeno fabricado, usa chapinha e lente de contato. Para tudo isso, ele manda um recado direto, em uma letra de música:
“Quando quero poesia eu escuto Roupa Nova, escuto Djavan, os caras que sou fã. Mas eu tô noutra. Tô solteiro, na balada, tô nem aí pra nada. Eu quero é curtir, eu quero é beijar no show do Safadão”. Melhor direta aos críticos de plantão, impossível. E feita assim, na maciota, na malandragem, no jeito Safadão de ser.
(Esperança Bessa/Diário do Pará)
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