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Sebrae inaugura centro de artesanato brasileiro

Ocupando um conjunto de três prédios históricos na Praça Tiradentes, coração do Rio de Janeiro, nasce o primeiro Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), iniciativa do Sebrae que abre oficialmente ao público no próximo dia 22 com a exposição

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Ocupando um conjunto de três prédios históricos na Praça Tiradentes, coração do Rio de Janeiro, nasce o primeiro Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), iniciativa do Sebrae que abre oficialmente ao público no próximo dia 22 com a exposição “Origem Vegetal: a Biodiversidade Transformada”.

A mostra apresenta um panorama da produção artesanal brasileira contemporânea, elaborada por artesãos ainda em atividade. Ao todo, cerca de 800 peças representam a produção dos 27 estados brasileiros, incluindo a paraense, com artesãos como Edicinamar Silva, de Soure, guardiã da tradição das Varinhas da Conquista.

Sob a curadoria de Adélia Borges e Jair de Souza, uma vasta pesquisa chegou até as peças de matéria-prima vegetal, formando assim o escopo da mostra. “Nós tínhamos que realmente fazer a curadoria de um universo que é o artesanato brasileiro. E chegamos a esse caminho, de explorar o vegetal, objetos derivados de plantas e árvores, tais como madeiras, palhas, sementes e resina”, diz Adélia.

A escolha permitiu deixar em evidência todo o processo que envolve a criação das peças, como a coleta da matéria-prima, tema que abre a exposição através de uma vídeo-instalação. “Aqui é uma imersão nesse universo de coleta de diversos materiais: buriti, miriti. E você vê a importância das artesãs – as principais mãos brasileiras trabalhando no nosso artesanato são femininas”, comenta Jair.
Navegar é Preciso

O que se aprende na sala seguinte da exposição é que entre a extração da matéria-prima bruta e o objeto final, várias etapas precisam ser cumpridas pacientemente pelo artesão. Isso é demonstrado através do trabalho de artesãos de Paraty, no Rio de Janeiro, que da caxeta – madeira muito parecida com o miriti – realizam diversos modelos em miniatura de embarcações típicas da região.

“No dicionário a gente encontra o artesanato como sinônimo de algo rústico, mal feito, e então olha a perícia desses artesãos, o requinte do trabalho deles até chegar nos menores barcos, de até um centímetro apenas”, mostra Adélia, apontando um barquinho perfeitamente talhado, capaz de caber num dedo mindinho.

Na instalação seguinte, bolsas e cestos representando o ato de trançar palha, presente desde os primórdios do artesanato. “A gente ficou muito preocupado em como apresentar essas peças de uma maneira não convencional. Então nós temos aqui ‘aquilo que o Brasil carrega’, nas suas bolsas, nos seus cestos. É uma curadoria de formas e de riquíssimos materiais, são mais de 40 fibras representadas”, destaca Jair.

“A escolha dos objetos obedeceu a um critério de excelência, quebrando o paradigma da feira e do produto de baixo valor agregado para requalificar o artesanato em um patamar mais elevado”, afirma a diretora técnica do Sebrae, Heloísa Menezes.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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