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Projetos de arte e cultura são em sua maioria realizados por meio de financiamento. E isso não é de hoje, vem de longa data, como, por exemplo, os mecenas que na Idade Média patrocinavam os projetos artísticos na Europa. Hoje, o sistema de financiamento coletivo tem se tornado cada vez mais comum, e representa ainda uma opção para quem busca verbas e não possui amparo de editais públicos ou patrocínios diretos. Em Belém, alguns projetos promovem essa mobilização, com o objetivo de desenvolver espetáculos de música, teatro e outras linguagens.
Para financiar duas viagens ao exterior, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia - OVA busca auxílio de pouco mais de R$ 35,8 mil, que garantirá o pagamento de despesas como os vistos, passagens e hospedagem para o 24 integrantes do grupo. A orquestra foi convidada pelo Partners of the Americas, dos Estados Unidos, e pelo Festival Eurochestries, que ocorrerá no Canadá, para participação em eventos nos meses de agosto e setembro.
Falta pouco menos de 30 dias para o encerramento da campanha no site, e segundo o músico e coordenador da orquestra, Áureo de Freitas, o desejo é que a viagem possa ser viabilizada. “Será uma oportunidade de participar de master class com professores estrangeiros, além de uma experiência de intercâmbio cultural para os alunos. Com isso, queremos cada vez mais solidificar a carreira dos membros da orquestra”, explica.
A OVA já passou por cinco países, dentre os quais França e Suíça, e por sete estados brasileiros. Em 2016 completa 19 anos de criação, como um projeto vinculado ao Programa Cordas da Amazônia, da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (Emufpa) e ao Grupo de Pesquisa Transtornos do Desenvolvimento e Dificuldades de Aprendizagem do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES), do Instituto de Ciências da Arte, também da UFPA.
“As atividades da orquestra não se restringem aos ensaios técnicos para apresentações públicas. Também fazemos trabalho com crianças portadoras de autismo e síndrome de down, com idade entre seis a oito anos, e com crianças diagnosticada com transtornos como hiperatividade, de nove até 14 anos. No total, trabalhamos com 36 crianças”, diz Áureo. No próximo dia 27, o grupo faz apresentação no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, também para arrecadar fundos.
Espetáculo
Também na busca do financiamento coletivo, a cantora Cacau Novais busca R$ 5 mil para reeditar o espetáculo “Chão de Águas”, que envolve música, teatro e poesia. O elenco é formado também pelas intérpretes Cristina Kahwage, Karimme Silva (convidada) e Tarsila França. O espetáculo tem direção musical de André Gaby, que toca o piano ao lado de Tom Salazar Cano no violão e JP Cavalcante na percussão.

Cacau Novais busca R$ 5 mil para reeditar o espetáculo de música, teatro e poesia "Chão de Águas". (Foto: divulgação)
“O ambiente pensado para o espetáculo propõe um encontro de mulheres, de suas histórias e sentimentos lavados em água, representando o elemento em fluxo e fluidez. O espetáculo lembra o cotidiano no ritmo das ondas dos imensos rios que circundam Belém, a chuva que molha a terra sob o sol escaldante da tarde, a água que evapora no ar e penetra nos poros de cada habitante desta cidade que se banha em vida, em cheiros, em ritmos”, explica a autora do projeto.
O percussionista Arytanã Figueiredo também é alvo de uma campanha, que busca arrecadar R$ 10 mil. Com 30 anos de carreira, o músico passou por uma cirurgia no final do passado, e amigos estão oferecendo apresentações musicais com renda de bilheteria revertida para Arytanã, além de outras recompensas como CDs, livros, DVDs. Tudo para que ele possa se manter no período em que estiver afastado dos palcos, em recuperação.
QUER AJUDAR?
Projeto da Orquestra dos Violoncelistas da Amazônia
Projeto de Cacau Novais
Projeto de Arytanã Figueiredo
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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