É bom passar em frente ao Casarão do Boneco e ver o colorido trazido pelos grupos abrigados pelo espaço, tomando parte na história do prédio erguido ainda no início do século passado. Com a proposta de contribuir com a cena artística local, oferecendo programações culturais constantes e espaço para o trabalho de vários artistas, o Casarão abre este mês a programação de 2016, com ações que devem se estender ao longo do ano.
“Começamos com o ‘Abre as Portas’, no último sábado, e que deve se repertir mensalmente. É o Casarão abrindo as portas para quem quiser estar lá, apresentando, compartilhando sua maneira de se expressar, falar, é um momento de diversidade”, conta Paulo Ricardo, do grupo In Bust, um dos que integram o Casarão.
Amanhã, o público confere o primeiro “Telão”, às 19h, trazendo para o espaço a linguagem do audiovidual, mas com temáticas ligadas à atividade do próprio Casarão e seus grupos. “Não é um filme qualquer. Tem muito lugar fazendo cinema já. Neste caso, a gente quer sempre que possível trazer alguém para debater a temática, e que esta se relacione às nossas atividades de alguma forma”, explica Paulo Ricardo.
O primeiro filme exibido será “Quanto Vale ou é por Quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi. A obra traça um paralelo entre a vida no período da escravidão e a sociedade brasileira nos dias de hoje. O elenco é formado por grandes atores da cena nacional, como Caco Ciocler, Herson Capri, Myriam Pires, Lázaro Ramos, Zezé Motta, Caio Blat, Antônio Abujamra e Leona Cavalli.
DEBATE CULTURAL
Na semana seguinte, o Casarão abre as portas para o seu primeiro “Conversa Com”. “Esse evento tem a mesma pegada do ‘Telão’, trazer temas para discutir e que sejam relacionados ao Casarão”, afirma Paulo Ricardo. O encontro está marcado para o dia 22, e trará como temática “Cultura Viva e Pontos de Cultura”, contando com a presença de Laurene Ataíde, guardiã do ponto de cultura do Pássaro Colibri, além de Delson Cruz, chefe da Representação Regional do Ministério da Cultura. “Desde que o casarão iniciou suas atividades, veio essa ideia do ponto de cultura, que o MinC começou a lançar em forma de editais. As pessoas sempre perguntavam se a gente era, mas a gente nunca foi. Só que, com essa nova pegada que o Casarão tem tido do ano passado para cá, pensamos que talvez ser um ponto de cultura seja o próximo passo na nossa história”, adianta Paulo Ricardo. O encontro, diz ele, servirá para esclarecer o próprio grupo sobre este tema, abrindo para a comunidade que também precisa se informar sobre a política cultural. E fechando o mês de março, a casa apresenta mais uma edição do “Amostra aí”, dia 26, um sábado, às 18h. “Ele foca nessa relação do espaço com o teatro, circo, as artes cênicas”. Nesta edição, haverá duas contações de histórias: “O Conto da Verdade”, com o grupo Sorteio de Contos, e “A Breve História do Sr. Bongo” com Heyder Moura, além da apresentação do espetáculo “O Conto que Eu Vim Contar”, do In Bust Teatro com Bonecos. “Todos essas programações vão ser nosso esqueleto de atividades abertas ao público”, destaca Paulo Ricardo. ARRECADAÇÃO |
As programações do Casarão são todas na base do “pague o quanto puder”. O que é arrecadado serve para manutenção das atividades e cotidiano da casa, dentro dessa perspectiva de manter esse espaço autossustentável e independente com a produção de diferentes artes.
“O Casarão nunca teve essa política do ingresso. A gente ficou anos com o ingresso sendo doação de brinquedo. Depois, veio a ideia do chapéu, quando precisava realmente de dinheiro. A ideia é que a arte, cultura, deveria ser item da cesta básica de todo mundo. Só que as pessoas em geral não têm poder aquisitivo para pagar por cultura, nem são acostumadas a isso”, diz Paulo Ricardo.
A expectativa dos grupos que mantêm a casa é de que o próprio público ajude a mudar esse cenário. "As ações em 2015 foram de suma importância para a circulação de público, e hoje permite termos um portfólio contundente, além da história longa nesses 14 anos em Belém, para buscar financiadores para as reformas que esse espaço precisa para se manter aberto”, diz Marina Trindade, uma das artistas que atuam no Casarão do Boneco.
(Laís Azevedo / Diário do Pará)
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