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Alberto Bitar tem filme em mostra do Itaú Cultural

Os variados caminhos do audiovisual experimental são o foco da exposição “Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural”, que abriu neste fim de semana na sede do instituto, em São Paulo, e segue para visitação ao público até 22 de maio. Entre as o

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Os variados caminhos do audiovisual experimental são o foco da exposição “Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural”, que abriu neste fim de semana na sede do instituto, em São Paulo, e segue para visitação ao público até 22 de maio. Entre as obras está “Partida”, do fotógrafo paraense Alberto Bitar, realizado em 2005, e que apresenta bem a relação estipulada pelo artista entre a fotografia, o vídeo e sua própria imensidão interior.

O vídeo tem como base a fotografia de um grupo de pessoas reunidas em uma estação de trem na cidade do Rio de Janeiro, retirada de um antigo álbum da avó materna de Alberto Bitar. Além da presença da avó na imagem, chamou atenção do artista uma espécie de neblina, provocada talvez pela ação do tempo sobre a foto impressa, que ocultava alguns rostos ou parte deles.

“É como se o tempo/espaço determinassem a retenção ou perda da memória e, nesse caso, a imagem é a memória”, diz o artista a respeito de seu trabalho de maior visibilidade. “Partida”, feito em homenagem à mãe, falecida em 2001, e à filha, nascida em 2002, participou de exposições no Brasil e no exterior, e integra o acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Itaú Cultural.

“A fotografia é por natureza porosa e pode entrar e sair de outras linguagens com desenvoltura. A obra do Alberto Bitar é uma prova disso. A belíssima, coesa e longa pesquisa dele esgarça os limites entre o estático e o movimento nos levando a um tempo distinto de percepção das imagens”, analisa Eder Chiodetto, fotógrafo e jornalista, consultor do Itaú Cultural.

Linha histórica

Pela curadoria de Roberto Moreira S. Cruz, doutorado pela PUC-SP em Comunicação e Semiótica, o objetivo era que a mostra fosse capaz de abranger desde os trabalhos mais recentes nesta área do audiovisual experimental, como o de Alberto Bitar, Cao Guimarães (MG) e Thiago Rocha Pitta (SP), até o legado de artistas pioneiros, como Letícia Parente, Regina Silveira e Anna Bella Geiger, atuantes desde a década de 1970.

“Marca Registrada” (1975), de Letícia Parente, por exemplo, em um único plano detalhe e sem cortes, mostra a artista costurando com agulha e linha em seu próprio pé a frase made in Brasil. No vídeo “A Arte de Desenhar” (1980), feito por Regina Silveira, mãos procuram imitar gestos desenhados na forma de silhuetas gráficas. E em “Passagens # 1” (1974), obra de Anna Bella Geiger, uma subida de escadarias é acompanhada de uma narrativa sem começo nem fim.

Pela primeira vez esse recorte da Coleção Itaú Cultural – que já passou por Belém (PA) em 2015 – viaja até a capital paulista para ser exibido na sede da instituição. E para essa ocasião especial, trabalhos de Paulo Bruscky, Rafael França e Letícia Ramos foram adquiridos pela instituição e complementam a coleção de forma inédita. De Paulo Bruscky foram incluídas duas obras: a videoperformance “Registros (Meu Cérebro Desenha Assim)” (1979), em que o artista registra com a ajuda de uma máquina de eletroencefalograma os efeitos de seu estado emocional; e a animação “Xeroperformance (Xerofilme)” (1980), que traz uma série de fotocópias feitas pelo artista, capturando diversas feições de seu próprio rosto.

Outra particularidade desta mostra é a sua contextualização na história do audiovisual de cunho artístico no país, por meio de depoimentos de diversos artistas e objetos de época, como catálogos de exposições, publicações e fotografias de filmes, lançados em uma linha do tempo no espaço expositivo. O Itaú Cultural traz ainda uma programação paralela à exposição, realizando, no próximo dia 23, o “Seminário Internacional Filmes e Vídeos de Artistas”, com a presença de importantes nomes, como a curadora de cinema e vídeo do Museu Reina Sofía, na Espanha, Cristina Cámara. O foco será o debate aberto ao público sobre organização em acervo de filmes e arquivos, curadoria audiovisual e outros temas relacionados à produção e a conservação do gênero atualmente.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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