A banda Fruto Sensual completa 21 anos de estrada e, pelo visto, não deve parar tão cedo. Questionada se mesmo após mais de duas décadas ainda não bateu aquele cansaço acumulado, a vocalista e fundadora da banda, Valéria Paiva, avisa que não. “Ainda dá frio na barriga”, diz. O show de comemoração ocorre hoje, a partir das 22h, no Goldmar, com participação de Kim Marques, Nelsinho Rodrigues e banda Xeiro Verde.
Iniciada de forma despretensiosa, ainda quando a cantora e seu empresário Neco, responsável pelas mixagens das músicas, moravam em Itinga do Maranhão, a banda de brega começou a aliar as batidas tradicionais ao eletro das aparelhagens. Valéria acredita que essa foi a chave para o sucesso – somente o primeiro disco, “Fruto Sensual - Na Onda das Aparelhagens”, vendeu mais de 100 mil cópias. Hoje, já são 9 CDs lançados e três DVD’s.
Ela lembra que não era comum fazer letras com menções especificamente aos nomes das aparelhagens e que na época foi novidade. “As pessoas perguntavam se eu estava ficando doida, que isso não existia”, relembra, rindo.
E assim surgiram os clássicos como “Príncipe Negro”, “Luxuoso Jakcsom”, “Itamaraty”, “Guanabara”, “Tupinambá”. Não à toa, Valéria tem a alcunha de “Rainha das Aparelhagens”.
As músicas são quase todas versões de clássicos internacionais, que Valéria já costumava cantar em bares de Belém. Como a melodia já era conhecida, a própria cantora começou a escrever letras para combinar com o ritmo – como, por exemplo, “Total Eclipse of the Heart”, clássico dos anos 1980, na voz de Bonnie Tyler, que serviu de base para a conhecidíssima “Está no Ar”.
“Já sabia que precisava ter letras simples, é música para o povão. Também imaginava as músicas como uma história, algo da minha vida ou de uma amiga, pegar a realidade e musicar. Essa foi a minha grande sacada e o povo começou a se identificar com as frases de amor. Colocava o nome da aparelhagem no meio como quem não quer nada, e teve grande aceitação”, relembra Valéria Paiva.
E teve mesmo, não só do público paraense. A banda já se apresentou no Maranhão, Amapá, Tocantins e até em Paramaribo, no Suriname. No auge do sucesso, Valéria diz que a rotina de shows era bastante pesada e chegavam a fazer oito apresentações em único dia. Começavam ao meio-dia e só terminavam às seis da manhã, do outro dia.
A agenda de shows continua lotada, com uma média de seis apresentações por semana, e a banda já tem eventos fechados até para 2017.
Valéria gosta de lembrar também que a Fruto Sensual foi uma das responsáveis em levar as aparelhagens e a música brega, quase sempre símbolo de música da periferia, para outros patamares. A banda começou a se apresentar em locais da classe média alta, como a Assembleia Paraense e o antigo Iate Clube. A cantora acredita que isso representa uma grande conquista para os artistas da cena musical do brega. “Antes, era impensável”, pondera. “Tudo que a gente tem até hoje devemos à música”, diz.
De acordo com Neco, que ainda é empresário da banda, a próxima empreitada musical da Fruto Sensual será a gravação de mais um DVD, que posteriormente será lançado em Belém, Barcarena, Abaetetuba e Macapá, no Amapá.Músicos festejam junto
Para o cantor Kim Marques, o momento é de comemorar não só o aniversário da banda Fruto Sensual, mas a retomada do brega como um ritmo genuinamente paraense, e que voltou a se conectar com seu público. “É uma festa nossa e para mim é honra dividir o palco com a Fruto Sensual. É para celebrar também a volta por cima do brega, vendo nossas casas de shows lotadas, com as pessoas dançando e se divertindo”, diz.
Para Hellen Patrícia, da banda Xeiro Verde, o aniversário representa também a união dos artistas do brega, fazendo o ritmo cada vez mais forte. “É um prazer muito grande estar nesse aniversário. A Fruto Sensual é uma banda ícone aqui, com músicas que são cantadas até hoje. É muito bom ver essse reconhecimento”, analisa. Parabéns!
Aniversário da banda Fruto Sensual, com participação de Kim Marques, Xeiro Verde e Nelsinho Rodrigues
Serviço
Quando: Hoje, a partir das 22h
Onde: Hotel Goldmar (R. Prof. Nélson Ribeiro, 132)
Ingressos: Mulheres e universitários não pagam até 23h30. Camarote fechado a R$ 250 (para dez pessoas). Vendas nas lojas Loccus e Goldmar
Informações: (91) 9294-6060
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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