Bacuri ou cupuaçu com doce de leite do Marajó, brigadeiro e nibs de cacau do Combu, cumaru, castanha-do-pará com chocolate. A Páscoa do paraense tem sido cada vez mais recheada, literalmente, de ingredientes da Amazônia. Os ovos com ingredientes regionais não são novidades, mas a procura por eles tem crescido ano a ano e os chefs têm buscado alternativas para diversificar os sabores e produzir ovos com muita criatividade. O resultado: clientes satisfeitos e valorização da cadeia produtiva local.
“Os sabores regionais são essenciais na montagem do catálogo de ovos. Há uma demanda incrível por esses sabores, principalmente para os paraenses que vão viajar durante o feriado e querem presentear alguém com nossos produtos regionais. O diferencial esse ano foi o recheado com cumaru, conhecido como a baunilha da Amazônia, que harmoniza muito bem com chocolate”, explica a chef Taiana Laiun, que possui uma doceria que iniciou com brigadeiros gourmets e depois ampliou o cardápio, principalmente de doces.
“Este é o nosso terceiro ano de Páscoa com ovos recheados e o sucesso é muito grande. E com os sabores regionais a procura tem sido ainda maior, tanto que este ano criamos a linha dos miniovos recheados. São seis unidades menores com sabores regionais, que ainda no início da semana já estavam esgotados”, comemora a chef.
Mais do que uma simples combinação de sabores, esta é uma valorização da cultura paraense, dos insumos locais, da agricultura familiar, do trabalho extrativista da floresta. Foi pensando dessa forma que o tecnólogo em alimentos Rafael Menezes investiu na venda, pelo segundo ano consecutivo, de ovos de páscoa funcionais, sem glúten, sem lactose, sem adição de açúcar branco e com recheios regionais em parceria com Taiana.
“A ideia surgiu com a demanda dos nossos clientes alinhado com nosso conceito de alimentação saudável. No primeiro ano lançamos apenas um, que foi o de brigadeiro com nibs de cacau do Combu, e foi um sucesso. Nesse segundo ano investimos em mais dois sabores, um deles também regional, que é bacuri com doce de leite do Marajó. As combinações foram pensadas valorizando diversas regiões e ecossistemas paraenses. A utilização do leite de búfala para a produção do doce de leite do Marajó é uma combinação perfeita com o ácido do bacuri e a castanha, criando uma diferença de sabores aromas e texturas”, garante.
Para ele, a utilização desses elementos regionais, que são livres de conservantes, é um diferencial para quem busca uma alimentação saudável. “É muito mais saudável comer um chocolate feito com um cacau 100% que não tem nenhum aditivo ou conservante, e o melhor, usado na sua forma mais rústica, o nibs, que são pedaços da semente dele. O cacau do Combu recebe um processo mínimo de beneficiamento, que é a fermentação e a torra. Isso ajuda a conservar melhor o aroma e a intensidade”, explica.
(Nathalia Petta/Especial para o Caderno Você)
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