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Ator vítima de agressão responde com performance

Um beijo. Em seguida, agressões. O ator paraense Carlos Vera Cruz teve o cotovelo fraturado após o ato de carinho com o companheiro, na Praça 15 de Novebro, centro do Rio de Janeiro, no ano passado. A agressão, segundo o artista, partiu de dois homens bem

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Um beijo. Em seguida, agressões. O ator paraense Carlos Vera Cruz teve o cotovelo fraturado após o ato de carinho com o companheiro, na Praça 15 de Novebro, centro do Rio de Janeiro, no ano passado. A agressão, segundo o artista, partiu de dois homens bem vestidos, durante uma noite de festa nos Arcos do Teles. Duas semanas após o episódio, para recuperação física e psicológica, Carlos voltou à praça para uma performance com o objetivo de dizer: “Homofobia mata, amor cura! Vamos amar!”. Assim surgiu o registro de “Te Convidei Pra Dançar”, que ele começou a divulgar recentemente nas redes sociais.

A proposta da performance foi abraçar as pessoas e convidá-las à dança, ao som de “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”, composição de João Bosco e Aldir Blac, imortalizada pela voz de Elis Regina. Carlos, ao final da dança, entregava uma rosa ao par efêmero. “Hoje eu percebo que essa atitude foi, na época, talvez uma espécie de mecanismo de defesa do meu corpo-artista, entende? Um dispositivo em potencial que foi ativado para lidar com a crueldade e materialidade da situação vivida. Mas na época eu a vi, além de uma atitude de transformação, também como uma forma de lidar, ao meu modo, com a repercussão que o fato em si teve, principalmente nas redes sociais”, conta o ator.

TE CONVIDEI PRA DANÇAR - PERFORMANCE from Carlos Vera Cruz on Vimeo.

Transformar a dor em arte foi um protesto também pelos casos de violência contra casais do mesmo sexo. Carlos Vera Cruz conta que após o ataque pesquisou outros episódios semelhantes na capital carioca e ficou chocado com o que encontrou, inclusive registro de mortes. O fato, apesar de ter causado enorme abalo emocional, foi, entanto, reconfigurado. Além de ator, o artista também cursa mestrado em Artes Cênicas na Unirio e é especialista em Saberes Africanos e Afro-Brasileiros na Amazônia, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Com 17 anos de carreira, tem se dedicado nos últimos anos ao “artivismo” – aliando às propostas artísticas questões políticas, principalmente sobre identidades negra e de gênero nos contextos urbanos.

“Achei necessário comunicar o fato, a homofobia, de forma performática, intervindo no urbano, ali, onde o urbano interviu em mim. Fiz relato do meu atravessamento pela homofobia, atravessando os outros e sendo celebrado através da dança. Pois foi assim que conheci o paquera daquela noite, dançando. Fazer a performance foi lindo e agora, com o vídeo de registro pronto, feito pela artista Carolina Kzan, que foi de uma sensibilidade, acho fantástica essa continuidade da performance e consequentemente a propagação de sua mensagem, de que homofobia mata e só o amor cura”, completa.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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