Amores, paixões, desilusões, canções e poemas forjam as senhas do trabalho da artista Elisa Arruda. Em sua primeira exposição individual, a paraense revela personas femininas em nanquim. São 77 obras reunidas na mostra “Essa é Você”, que abre hoje, a partir das 18h30, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia, em Belém. A entrada é gratuita.
A série é composta por 10 desenhos em cor e 60 em preto e branco. No começo, as mulheres apareciam sem qualquer preenchimento. Depois, Elisa experimentou pintá-las de preto. “Percebi que o preto sugere alguma coisa que está cheia, carregada. Nos meus desenhos, as mulheres sem preenchimento são mais ingênuas. As mulheres negras são mais maduras. São mulheres prontas”, define.
Recentemente, ela também fez experimentos com dourado e tintas metalizadas. “O metálico entra para potencializar a interpretação. As pessoas criam significados. Muita gente já chegou para mim falando sobre entidades, seres místicos, por causa de ornamentos como o vermelho nas bochechas. É como se fossem mulheres em potência”, avalia.
Elisa começou a desenhar como designer, trajeto que a levou a Pesaro, na Itália, aonde cursou mestrado. O desenho livre surgiu há cerca de 4 anos, primeiro com grafite, depois com nanquim. “No início, a minha preocupação era aprimorar o traço. Quando eu comecei a desenhar a série ‘Essa é você’, me desliguei um pouco da técnica, no sentido de não tentar reproduzir a realidade, mas principalmente traduzir o que estava sentindo, como eu me via, a aura da mulher”, explica.
Mãe de dois filhos, Elisa conta que a busca pelo autoconhecimento foi determinante para o seu desenvolvimento como artista. “Eu procuro falar de mim e das coisas que me inquietam. Os desenhos são uma forma de enxergar as minhas questões sob muitos pontos de vista”, revela, enfatizando que, mais importante que o resultado final, é a mensagem por trás de cada trabalho. “São sentimentos íntimos, mas eu não me importo de explorá-los, porque gosto de me ver e de permitir que os outros se vejam. De alguma forma, aprendemos com isso. São lições de coragem”, conclui a artista.

Obra da mostra exposta no Banco da Amazônia. (Foto: divulgação)
“A obra de Elisa é atravessada por paixões, mas não como algo que nos acontece, e sim como o que somos”, diz o curador da mostra, Alexandre Sequeira. Ele destaca que o movimento de paixões que pulsa dos desenhos para além do sentido comum de fonte de alegrias e tristezas, atesta seu incontestável compromisso com a afirmação da liberdade.
“Como todo pensamento que alimenta e abastece uma experiência artística, o de Elisa é avesso a roteiros, alternando caminhos definidos ora pela razão, ora pelo coração”, completa.
ELISA ARRUDA EM TRÊS RESPOSTAS

A artista Elisa Arruda abre sua primeira exposição individual. (Foto: Ana Alexandrino)
A série “Essa é Você” apresenta vários desenhos de mulheres. Como você começou com essa temática?
Há cerca de dois anos e meio, comecei a explorar a narrativa de uma personagem. A série se detém a contar momentos, encontros, despedidas dessa personagem.
De que forma as narrativas dessas mulheres, esses universos, se conectam na exposição?
Na exposição, todos esses universos estão conversando. Com 77 desenhos, escritos, datilografias, pode-se ter uma leitura da espacialidade do mundo dessa personagem, é possível olhar por algumas janelas e conhecer um pouco dessa história.
Quais são as suas principais influências e de que forma isso se reflete na sua produção?
Gosto de muitos artistas, tanto das artes visuais, do desenho, pintura, performance, como também da música. Tudo isso está atravessado com a minha produção. Muitos desenhos faço para músicas, gosto dessa aproximação. Na exposição, tenho desenhos para Ava Rocha, Juliano Gauche, Ana Cláudia Lomelino, Maria Bethânia, Gal Costa, Manoel de Barros, Fauzi Arap, Caetano Veloso e outros.
VISITE
Exposição “Essa é Você”, de Elisa Arruda. Curadoria de Alexandre Sequeira. Projeto contemplado pelo Edital de Pautas em Artes Visuais do Banco da Amazônia.
Abertura: Hoje, às 18h30.
Visitação: Até 06 de maio. De 10h às 17h.
Local: Espaço Cultural do Banco da Amazônia (Av. Presidente Vargas, nº 800, térreo).
Quanto: Entrada gratuita.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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