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Pará terá time liderado por Robatto em projeto

As diferentes trajetórias e estilos de 30 músicos e produtores de diversas regiões do país irão se encontrar em São Paulo, durante a edição 2016 do projeto de residência “Pulso”, realizado no prédio do Red Bull Station. De amanhã a 30 abril, eles irão ocu

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As diferentes trajetórias e estilos de 30 músicos e produtores de diversas regiões do país irão se encontrar em São Paulo, durante a edição 2016 do projeto de residência “Pulso”, realizado no prédio do Red Bull Station. De amanhã a 30 abril, eles irão ocupar os seis ateliês do edifício e gravar no Red Bull Studio suas experimentações. O objetivo é partir dos mais variados gêneros – do hip hop ao eletrônico, do tecnobrega ao indie – em busca de novos caminhos para a música independente.

Divididos em coletivos, os participantes foram escolhidos por seis curadores/produtores convidados: Chico Dub, Filipe Cartaxo, Juliana Baldi, Kamau, Macloys Aquino e o paraense Félix Robatto. Além de guitarrista e percussionista, Félix é pesquisador da música latino-amazônica e vem se destacando como produtor musical. Ao montar a equipe que o acompanha para representar bem o Norte do país, diz que também procurou levar a diversidade em conta.

“Eu tentei misturar três gêneros contemporâneos muito trabalhados na música paraense: guitarrada, tecnobrega e carimbó. Claro que nossa música não se resume só a isso, mas estes estão bem evidentes hoje. Chamei o William (Will) Love, que era um da Gang do Eletro e tem um trabalho muito bacana com experimentações envolvendo o tecnobrega. Escolhi a Keila Gentil, que também era da Gang, porque acho que ela representa a voz feminina do tecnobrega de aparelhagem, e também para dar a cara, esse ‘veneno’ no som”, diz.

A cantora afirma que a imersão tem tudo para render bons resultados. “Eu já estou esperando conhecer pessoas novas, formar parcerias novas, poder aproveitar de tudo. E adquirir muito conhecimento, porque vai ter gente de todo Brasil participando”, comemora Keila.

Além dos ex-integrantes da Gang do Eletro, está na equipe o baterista Adriano Sousa. “É um cara que sabe como usar a bateria para dialogar com todos esses gêneros”, comenta o produtor, que ainda convidou o percussionista Douglas Dias para completar a equipe por ser especialista em ritmos e instrumentos regionais. “O jeito de tocar percussão na música paraense é muito particular, tem instrumentos e uma afinação diferente”, completa.

Já a guitarra será assumida pelo próprio produtor. “A guitarrada é o nosso sotaque próprio ao tocar guitarra, o tecnobrega tem uma batida própria. Juntar isso à percussão regional no meio, a meu ver, é uma mistura interessante”, projeta.

Tecnobrega será o diferencial

Em busca de tantos diferenciais para o seu “time”, Félix acha que o tecnobrega dará aquele toque todo especial. “O tecnobrega é a nossa musica eletrônica, só que popularizada. Claro que a gente está deixando para experimentar lá, só batemos um papo aqui, a proposta é essa mesmo de só reunir tudo quando estivermos no estúdio”, garante. O encontro irá resultar ainda em espécie de coletânea mostrando a mistura e a diversidade da música contemporânea brasileira.

“Vamos tentar usar toda a tecnologia disponível, os bons profissionais do estúdio, técnicos, sem perder a nossa essência”, diz Félix, cheio de planos para o que sairá dessa imersão musical. Durante a programação, o próprio Félix e seus convidados estarão à frente de um bate papo com o público. Intitulada “E aí, Belém?”, e prevista para ocorrer amanhã, às 20h, nela o músico irá traçar um panorama da cena musical atual na capital paraense, seus sons, desafios, gêneros, espaços e movimentos culturais. “Estou me preparando para explicar um pouco as influências, para chegar no que é hoje o tecnobrega, como era antes do carimbó elétrico, da guitarrada... Vou falar porque a nossa música é tão diversificada”, adianta o músico.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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