O palco é o diário do humorista carioca Marcelo Marrom. É para lá que ele leva as suas experiências cotidianas, seus acertos e atropelos, o dia a dia de pai, os casos do casamento, as memórias da infância. E sempre ri de si mesmo, com elementos irônicos e sarcásticos sobre sua jornada. Reunindo essas temáticas, ele apresenta hoje no espetáculo “Confissões de um
Quarentão”, às 19h, no Computer Hall, em Belém. A experiência do período em que foi músico, quando se apresentava em barzinhos, é levada ao show e ele toca violão, piano e ukulele, uma parte na base do improviso.
Um período do show é para pedidos do público, no quadro “Música por Encomenda” – originalmente o quadro que apresentou no programa “Altas Horas”, da Rede Globo, mas que foi adaptado para os seus espetáculos. “As pessoas que estão na plateia também viajam comigo nessas histórias comuns às pessoas da nossa idade e relembram as brincadeiras, manias, coisas que marcaram essas décadas”, diz Marcelo, que divide o texto pelas décadas de 1970, 1980, 1990 e início dos anos 2000.
Por ser negro, a temática racial é sua marca. Um exemplo foi o fato de uma senhora tê-lo elogiado, dizendo que gosta de quem faz piada com o próprio defeito, apontando para a pele. A situação virou texto, disso fez piada. Mas acredita que o humor sirva para provocar reflexão, mesmo se não agradar a todos. Em certa ocasião, foi ouvido por um delegado após um espectador ter se incomodado por chamar negros de pretos.
O humorista carioca acredita não haver problemas em falar de minorias e grupos vulneráveis em seus shows de humor. O assunto polêmico, muito comentado nas redes sociais, divide o público e os movimentos sociais. “Piada foi feita para ser piada. Por mais que você não goste, é só uma piada. Tem gente que reclama quando a gente fala de gordo, de preto, mas não tem que ser levado a sério. Posso criticar, informar, mas o papel da piada é fazer rir”, diz.
Carreira
Marcelo é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e começou a carreira como humorista há nove anos após o convite da Cia. de Humor Deznecessários para tocar violão durante as apresentações do grupo. Já imerso nos palcos, percebeu que ele próprio também era naturalmente um humorista, e que boa parte da própria vida poderia ser adaptada para os espetáculos. Mas o humorista ficou conhecido do grande público ao fazer parte do elenco do programa de Serginho Groismann.
Atualmente ele comanda o programa “Queimando a Roda”, no Multishow, uma paródia televisiva ao programa “Roda Viva”, da TV Brasil. A atração é para discutir temas da atualidade, mas sem a sisudez tradicional e sim com sátiras e bom humor.
Espetáculo “Confissões de um Quarentão”
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Computer Hall (Rua Antônio Barreto, 1176)
Classificação: 14 anos.
Ingressos: À venda nas lojas Lojas Locus Pátio Belém e Boulevard Shopping, e pelo site.
(Dominik Giusti/Diário do pará)
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