A fotografia pinhole, também conhecida como “furo da agulha”, é uma técnica de fotografia artesanal que ajuda a entender os princípios básicos da linguagem. Mesmo sem aparatos sofisticados, é possível aprender sobre como a imagem surge a partir do papel sensibilizado pela luz, revelado em laboratório. E para muitos artistas, o pinhole tem se apresentado como uma nova possibilidade de criação. Este mês, a Associação Fotoativa promove uma série de atividades sobre o tema, que culminarão na Jornada Pinhole Day Belém, no dia 24 de abril, com um dia inteiro dedicado a esta prática.
O tema este ano é “Desvelar” e pretende chamar o público para reflexão sobre a prática fotográfica. De acordo com Miguel Chikaoka, coordenador da jornada, o “furo da agulha” é uma porta de entrada no mundo da imagem. “Possibilita outras percepções sobre a fotografia e, ao longo desses anos, essa é uma marca da nossa trajetória, de não ficar preso à imagem física em si, mas outras tantas imagens que permeiam nosso dia a dia”, destaca Miguel, lembrando ainda que apesar do evento ser mundial, na capital paraense são observadas as particularidade da cidade e a integração com comunidades locais.
Veja imagens feitas pela técnica do pinhole.
Antecipando a jornada, várias programações acontecem este fim de semana. A fotógrafa e mestre em artes Cinthya Marques vai ministrar, amanhã e domingo, a oficina “Narrativas Pinhole”, para refletir sobre o saber e fazer da pinhole em diálogo com a criação de ensaios visuais autorais, proporcionando, através da experimentação, a reflexão acerca do espaço exterior observado pelo furo da agulha. Ela deve mostrar alguns projetos de ensaios visuais, como o de Regina Alvarez, que trouxe o pinhole para o Brasil e chamou de “Fotografia sem câmara”; Tatiana Altberg, com o projeto “Mão na Lata”, cujo livro “Cada Dia Meu Pensamento é Diferente” foi feito com moradores da Favela da Maré; e o paraense Dirceu Maués com os trabalhos “Horizonte Reverso” e “Feito Poeira ao Vento”.
“Será uma provocação para criar narrativas e ensaios visuais com a técnica pinhole, experimentando o processo livre de criação com os pincéis de luz e posteriores experimentos com o pinhole, de modo a tornar visível a cidade que nos rodeia, enfatizando o centro histórico e comercial do entorno da Associação Fotoativa. Acredito que o pinhole democratiza o acesso ao conhecimento da formação da imagem, e proporciona uma nova experiência diante do processo fotográfico”, defende Cinthya Marques.
CONFIRA AS ATIVIDADES
Pinhole com Lata de Cerveja, com Joyce Nabiça
Mais uma possibilidade para desvelar Belém a partir da construção de câmera Pinhole com base para película de 35mm de latinhas de cerveja.
Quando: 8, 9 e 14 de abril - sexta e quinta, das 18h às 22h, e sábado, de 08h às 12h;
Carga: 12 horas/aula
Vagas: até 8
Taxa: R$50 com material incluso, salvo filmes e serviços de revelação
Narrativas Pinhole, com Cinthya Marques
Partindo do tema “Desvelar”, busca-se discutir e refletir sobre um percurso visual de criação de narrativas, relacionando-se com processos de edição e amadurecimento de uma ideia central, a partir da técnica pinhole.
Quando: 09 e 10 de abril, de 9h às 12h e 14h às 17h
Carga: 12 horas/aula
Vagas: até 10
Taxa: R$60 com material incluso
Des ve lar | Pinhole Day Belém 2016
Mesa de Abertura:
Noite de conversas com artistas e pesquisadores que vão compartilhar relatos de experiência em torno da prática pinhole.
Quando: 20 de abril
Onde: Casarão Fotoativa (Praça das Mercês - Campina)
Quanto: entrada franca
Jornada Pinhole Day Belém
Quando: 24 de abril, ao longo do dia
Onde: Casarão Fotoativa (Praça das Mercês - Campina)
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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