Como um espaço que prima pela reflexão sobre a fotografia, a Doc Galeria chamou 18 expoentes da cena contemporânea para a mostra que marca a reinauguração de seu espaço, agora mais amplo, na Vila Madalena, em São Paulo. Entre os convidados, a paraense Roberta Carvalho, junto a nomes como Daniel Kfouri (Prêmio World Press Photo de Esportes de Ação) e João Castellano (“Isto É”).
Cada convidado participa com uma foto ou recorte de uma série, que foi o caso de Roberta. Ela expõe um díptico (duas fotos). “São fotos feitas a partir de projeções. Na verdade, foram projeções feitas especificamente para que fosse feita a fotografia mesmo. É diferente dos meus trabalhos em que o foco é a própria projeção”, explica a artista visual. As duas obras compõem um desdobramento do projeto “Simbioses”, de projeção de rostos nas copas de árvores. “São pessoas da Ilha do Combu. Fiz a projeção em muitos lugares, na busca dessa textura da natureza, das árvores floridas para compor a fotografia, a textura dela”, explica.
O convite para participar da mostra, que fica aberta à visitação até meados de maio, veio dos fotógrafos responsáveis pela Doc Galeria, Mônica Maia e Fernando Costa Netto, depois que eles viram o trabalho da paraense na edição 2013 do “Paraty em Foco”, evento do qual a artista participou a convite de Mariano Klautau. “O primeiro convite veio da repercussão do Prêmio Diário de Fotografia. O Mariano, que é o coordenador da premiação, me convidou para compor a mesa em Paraty, e a Mônica conheceu meu trabalho lá e me chamou para esta mostra”, relata Roberta.

A obra da paraense em sua plenitude. (Foto: divulgação)
DESDOBRAMENTOS
Este ano Roberta Carvalho deve dar continuidade às pesquisas visuais iniciadas com “Simbioses” e a partir delas lançar um fotolivro. “Elas são o passo inicial dessa nova fase, cujo objetivo é fazer retratos a partir dessas texturas, entre anatomia do verde e uma anatomia humana”, antecipa.
Para tanto, espera fazer uma nova série de imagens em diversos lugares do Brasil, num roteiro que mescle pessoas e vegetações distintas. “A ideia é que culmine em algo mais aproximado da imagem fotográfica, é ter um recorte da relação da imagem projetada e da vegetação, perceber a relação entre essas anatomias”, diz.
O livro já tem sinalizações de patrocínio e, segundo Roberta, deve sair entre o fim deste ano e o início do próximo. Antes disso, no entanto, ela se prepara para viajar, no segundo semestre, para o Jardim Canadá Centro de Arte, em Minas Gerais, para uma residência artística. A proposta é ficar de um a dois meses residindo no centro e realizar um trabalho relacional com o bairro, para gerar um projeto inédito: projeções mapeadas, fazendo um cinema de realidade daquele lugar.
E o ano será intenso para Roberta, que além dos trabalhos pessoais, é idealizadora e organizadora do “Festival Amazônia Mapping”, cuja terceira edição está assegurada para 2016. “A ideia do festival para este ano é ampliar um pouco as técnicas representadas, fazer um entrelaçamento de artistas e técnicas e apostar na transposição de artistas que não necessariamente estão ligados à tecnologia e à linguagem da projeção. Misturar performance com projeção, ter projeções low tech, convidar artistas a fazer experimentações de formatos, ter projeções em formatos monumentais”, descreve.
(Lais Azevedo com colaboração de Aline Monteiro/Diário do Pará)
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