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“Mestres Navegantes” reúne pesquisa de ritmos

O músico e produtor Betão Aguiar está de volta ao Pará para apresentar o disco que resulta da quarta edição do projeto “Mestres Navegantes”, a segunda realizada no Pará. O novo trabalho terá pré-lançamento hoje, às 9h, em Cametá, e no domingo, às 19h, em

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O músico e produtor Betão Aguiar está de volta ao Pará para apresentar o disco que resulta da quarta edição do projeto “Mestres Navegantes”, a segunda realizada no Pará. O novo trabalho terá pré-lançamento hoje, às 9h, em Cametá, e no domingo, às 19h, em Bragança, os dois municípios que são focos desta edição. O trabalho inclui gravações especiais de grupos como a Marujada de São Benedito, o Samba de Cacete do Matias, além de Mestre Vital e o seu projeto Engole Cobra.

Betão Aguiar conhece desde a infância a beleza da pluralidade sonora brasileira, como fazia o pai, Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos, que rimava samba com guitarra. Ao deparar-se com os maracatus, cocos e afoxés de Pernambuco, enquanto acompanhava o cantor Moraes Moreira, como baixista, veio o desejo de conhecer os mares da música brasileira que só os mestres populares sabiam navegar.

Para fugir das gravações de estúdio, incapazes de reproduzir a emoção, territorialidade e intimidade dessas manifestações, decidiu registrá-las durante as festas locais, aproveitando-se da facilidade de mobilidade com os equipamentos atuais de gravação, e ainda priorizou o registro digital desse material. “Isso permite deixar esse legado disponível por muitos anos”, diz ele, em entrevista exclusiva.

Mestres Navegantes chega à quarta edição com um acervo de mais de 400 músicas registradas, 19 discos gravados, 15 documentários, 10 programas de rádio, fotos e textos produzidos desde a primeira edição, em São Luiz do Paraitinga, em 2011. A essa seguiu o Cariri cearense, em 2013, e o Pará, em 2014, cujo volume um adentra pelas regiões do Salgado e do Marajó, antes de aportar agora em Bragança e Cametá.

Pesquisa reúne informações sobre ritmos tradicionais paraenses. (Foto: Samuel Macedo/Divulgação)

“Tenho fascínio pela história das duas cidades, Cametá com a Cabanagem, os teatros de pássaros juninos, e Bragança com a Marujada. Além disso, participei do disco da Luê, tenho uma relação com o Felipe e o Manoel Cordeiro, com a música daqui. A gente sente um sotaque nesse lugar que parece outra língua, isso me fascina”, descreve o pesquisador. “É muito difícil em um só lugar você encontrar trabalhos tão diferentes, como aconteceu em Bragança, que vai além da marujada com o mestre de rabeca Antônio; e Cametá com seis grupos de sonoridades diferentes”, cita o músico, feliz por agora voltar com o trabalho pronto.

“A gente sempre começa pelas cidades onde foram feitos os registros, levando o material para os mestres. Isso ajuda com a autoestima, é um incentivo para que continuem seu trabalho. É muito bom ouvir a satisfação de um mestre ao ver seu trabalho registrado, ter seu nome divulgado em sites ao lado de músicos como Tom Zé e Elza Soares”, afirma Betão.

PROJETO ESTIMULA PRODUÇÃO LOCAL

O pesquisador estará nas duas cidades acompanhado dos pesquisadores paraenses Júnior Soares (Arraial do Pavulagem) e Walter Figueiredo, para distribuir ao todo 3 mil cópias dos discos, patrocinados pelo programa Natura Musical com apoio da Semear, aos 10 grupos participantes. Além dessa cota, cada grupo receberá um DVD e um CD master com o material bruto de todas as músicas captadas pelo projeto em áudio e vídeo. As músicas recolhidas são mixadas para que possam integrar um CD-solo. “Queremos que eles se apropriem de sua arte e, estimulados, continuem a fazer sua música”, pontua.

Marujadas de Bragança também participam do trabalho. (Foto: Samuel Macedo/Divulgação)

Depois, todo material será lançado oficialmente na primeira quinzena de maio, para público e imprensa especializada. Em rede, serão disponibilizadas de forma gratuita e legal as músicas pelo SoundCloud, fotos na fanpage do projeto e os documentários no Vímeo. A outra parte física do material será distribuída para escolas, bibliotecas e instituições culturais. “Nada é vendido. É muito bom poder devolver isso para o povo”, diz ele.

Betão Aguiar promete esta como uma das mais belas edições do projeto, que inclui ainda gravações com o Bambaê do Rosário da vila de Juaba, o Marierrê de Carapajó e a Comitiva de São Benedito de Bragança, entre outros importantes representantes da cultura local do interior paraense. “Mestres Navegantes” ganhou reconhecimento internacional em 2013, quando o jornal “The New York Times” o elegeu como o quarto melhor projeto musical daquele ano.

“Essa ficou uma das edições mais bonitas pela música e pela qualidade de áudio limpo, bem definido. Também evoluímos na arte com uma tipologia feita à mão, projeto visual de um artista gráfico incrível de São Paulo, o Jimmy Leroy. O projeto vem numa crescente: foram quase 100 mestres e a cada edição a gente vai aprimorando em música, vídeo, foto e arte”, comemora Betão

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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