A dupla de pop eletrônico britânica Pet Shop Boys disponibilizou no YouTube a música “Twenty-Something” no último dia 1° de abril e não demorou muito para surgirem alguns comentários no canal oficial da banda: “Tecnobrega paraense! Brasil wins!”, “E esse tecnobrega aí! aauhauhaua maravilhoso! <3 de Belém-PA pro mundo!”, “You guys made your music look like a brazilian northern rityhm called tecnobrega! Hi from brazil! (Vocês fizeram uma música parecida com o ritmo do norte do Brasil chamado tecnobrega)”.
Ouça a canção:
A música da banda inglesa faz parte do disco “Super” e a comparação se deu por conta das batidas, muito parecidas com as que as bandas paraenses utilizam nas mixagens. Em entrevista ao portal UOL, o DJ Waldo Squash, um dos fundadores da banda Gang do Eletro, declarou que pode haver uma influência das produções paraenses, alegando que em 2012 ele foi convidado para fazer um dos remixes da faixa “Memory of the Future”, dos Pet Shop Boys, lançada como single e em mais quatro versões.
Ele explica que esta atividade anterior foi a base para compor “Twenty-Something” – o tecnobrega inglês. “Eles conseguiram utilizar a identidade deles, aquele estilo melódico de cantar, e inseriram a ‘primeiridade’ que é a base. Tudo bem que não tem muita variação de batida, mas isso é opcional. Ficou bastante interessante. Eu adorei o que eles fizeram. A forma que eles utilizaram batida tem bem a pegada que eu fiz naquele remix”, disse ao UOL.
O tecnobrega já chegou à Europa por meio de eventos como o Festival Lusotronics, realizado em 2012, e por mais otimista a previsão, não se sabe ao certo se a inspiração da dupla Neil Tennant e Chris Lowe tem a ver com o ritmo paraense. Um outro fato interessante é que o brega sempre apostou nas versões de músicas estrangeiras e soa peculiar ver uma obra musical ser comparada ao inverso. Sobre o assunto, alguns músicos paraenses consideram a comparação positiva.
A cantora Valéria Paiva, da banda Fruto Sensual – conhecida pelos sucessos de versões – acredita que pode, sim, ser uma vertente. Por que, não? “O brega não é só um, a gente vai criando vertentes de acordo com o que é produzido mundialmente. Se você for perceber, no início tinha muita influência do Elvis Presley e dos Beatles. Com o entrada da dance music, na década de 1990, a gente também passou a compor com a base eletrônica, até virar o tecnobrega. Então, eu acho muito positivo que hoje a gente possa reconhecer a nossa sonoridade em uma banda estrangeira. Hoje, o eletrônico é universal e está combinado com vários outros ritmos”, diz.
O cantor Edilson Moreno, que acompanhou essas mudanças no ritmo, acredita que essa comparação espontânea e a repercussão possa trazer ainda mais reconhecimento para o ritmo paraense. “O brega tem um cancioneiro gigante. E o tecnobrega é a nossa música eletrônica. Acho que aliar ao Pet Shop Boys valoriza o ritmo e também o nosso estado, já que o brega mora no Pará, aqui é a casa dele, e os paraenses têm orgulho”, opina o cantor.
Segundo Jorge Kobara, diretor de programação da rádio 99 FM, esse tipo de música pode ser muito bem recebido pelo público que costuma ouvir brega, e não só pelas semelhanças com o tecnobrega, mas pela “pegada” pop. “Independente do ritmo, a música pode emplacar, sim. Temos o brega como nosso carro-chefe e entra pop, tecno, calypso, melody. Uma grade voltada para o gosto popular tem que estar aberta para essas aproximações e esse ritmo é internacional”, comenta o diretor.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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