Quando Padre Antonio Vieira desembarcou no Brasil, em 1653, depois de uma longa temporada política na Europa, um novo marco iniciava na história do país. É a partir desse momento que o livro “A Fé, o Império e as Terras Viciosas”, de Carlos Raimundo Lisboa de Mendonça, narra a saga da colonização dos povos indígenas na Amazônia. A obra, publicada pela Editora Paka-Tatu, será lançada nesta terça-feira (19).
Para construir o trabalho, o historiador recorreu aos documentos encontrados em bibliotecas e arquivos públicos, que reúnem diários de viagem, cartas e crônicas de personagens da época, como os próprios de Antonio Vieira, do padre Bettendorf e outros, além de bibliografias clássicas de estudo do tema como a "História da Civilização", de Will Durant e a "História do Brasil".
O texto é um romance histórico, inspirado no poema Os Lusíadas, de Camões, e de cujos versos, retirou o trecho que dá título ao livro. Assim como o poeta português, Carlos Mendonça também procura ressaltar as conquistas do processo de desenvolvimento cultural na região com o fortalecimento das ordens missionárias, que defendiam um modelo de colonização a partir do processo de civilização pelas missões, tirando os índios da condição de subalternos, para torná-los cidadãos brasileiros.
O enredo mostra ainda como o poder das Ordens foi sendo enfraquecido ao longo da história, no período em que o Império retira os poderes políticos e autonomia dos missionários. Os jesuítas seriam perseguidos e expulsos da Amazônia, na Era Pombalina, como ficou conhecida a gestão do Marquês de Pombal.
No último capítulo, Carlos Mendonça apresenta em seu mais novo livro, os reflexos da construção social em torno de uma política indigenista, contrapondo-se à concepção do que se estabelece serem direitos dos povos, na Constituição Federal de 1988 e suas aplicações práticas no cotidiano dos territórios.
Serviço:
Lançamento do livro “A Fé, o Império e as Terras Viciosas”, de Carlos Raimundo de Lisboa Mendonça. Hoje, a partir das 17h30, na Livraria Leitura, terceiro piso do Pátio Belém. Entrada franca.
(DOL)
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