Pontoa ponto
CRÉDITO DE FOTO
DOMINIK GIUSTI
Pixel a pixel, a imagem. Ponto a ponto, o desenho. Partindo desses dois campos de produção estética, o artista alemão Matin Jeuf começou a produzir obras tensionando debates conceituais a respeito da fotografia na contemporaneidade. A facilidade dos recursos tecnológicos para a produção imagética demasiada o angustia e isso o fez questionar o realismo fotográfico. Passou, então, a projetar imagens em grandes dimensões e, como num caminho de volta, a desenhá-las com grafite no papel ou a colá-las de forma aleatória.
Ele coleta fotografias de grandes eventos esportivos mundiais, na qual os atletas estão em movimento, e passa a fazer desenhos pontilhados baseados no movimento das pessoas. Foi o caso de uma série de tenistas que será exposta na mostra “Tudo Tênis”, que abre hoje, a partir das 19h30, no Museu do Estado do Pará (MEP), com entrada gratuita. A curadoria é de Sabine Reiter, vinculada ao Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), sediado na Casa de Estudos Germânicos, da UFPA.
Ela explica que o artista se preocupa, através das obras, com a temática da casualidade. “Ele se ocupa, principalmente, com a questão se e até que ponto o realismo das imagens fotográficas pode descrever e, além disso, construir fatos complexos. Ao mesmo tempo, Martin tematiza a influência psicológica de fatos fotográficos na memória. Na sua ‘tradução’ de fotografia para o meio de desenho, procura explicitar até os pixels, as unidades mínimas da imagem, o fator subjetivo e emocional de memória”, elucida.
Sabine Reiter destaca ainda que a exposição, que além de desenhos apresenta colagens, propõe sentidos outros às fotografias, a partir de duas estratégias. Nos desenhos, os motivos são retirados de seu contexto original e resta apenas à persona, que é combinada a outras, para continuar o movimento, numa espécie de jogo imaginário. Já nas impressões, os motivos fotográficos são primeiramente tornados e, em seguida, são sobrepostos uns aos outros. Para o artista, a sobreposição assume um sentido metafórico, de sedimentação, representa a estrutura de memória imagética.

Martin tematiza a influência psicológica de fatos fotográficos na memória. (Foto: divulgação)
“Nos dois tipos de procedimentos, a funcionalidade das imagens fotográficas se dissolve em prol de algo inteiramente imagético e, assim, leva a uma recepção autônoma, isto é, os motivos já não chegam a nós com intenção, mas podem ser lidos individualmente como imagens. Com isso, ele torna visível a influência de ideias subjetivas na percepção e interpretação de imagens: só vemos o que queremos ver. Pode-se concluir que, no momento da contemplação, o observador já modifica as coisas do mundo e que objetividade não existe, seja na memória, seja no visível capturado num determinado momento”, diz a curadora.
VIVENDO ENTRE BELÉM E BERLIM
Martin Juef nasceu em Berlim em 1966. Estudou História da Arte na Universidade Técnica e Pintura na Universidade das Artes em Berlim, com o professor Walter Stöhrer. Além disso, possui mestrado em Arte no Contexto, realizado na Universidade das Artes em Berlim. Depois dos seus estudos, em 1993, recebeu o prêmio Nafög de Berlim.
Desde início de 2014, Martin Juef vive e trabalha tanto em Berlim como em Belém. Seu trabalho artístico abrange pintura, colagem, instalação e desenho e suas obras integram várias coleções públicas e privadas, como é o caso da renomada Coleção Deutsche Bank.
O artista participa internacionalmente em exposições individuais e de grupo e ele também contribuiu, no âmbito dos seus estudos, com alguns projetos interdisciplinares, como "Missing Link", um projeto com artistas e biomédicos. Martin também atua como curador.
VISITE
Exposição “Tudo Tênis”, de Martin Juef
Onde: Sala das Artes do Museu do Estado do Pará (Palácio Lauro Sodré, Praça D. Pedro II)
Quando: Abertura hoje, às 19h30. Visitação até o dia 6 de junho.
Quanto: Entrada franca
Informações: (91) 4009-9830
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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