Criada para refletir o espírito tipicamente paulistano de uma cidade que “nunca para”, a Virada Cultural de São Paulo - que acontece de hoje até domingo - também terá uma boa mostra da sonoridade múltipla da música paraense. O evento que apresenta Crioulo, Ney Matogrosso, Hyldon, Céu e MC Bin Laden também levará ao público os paraenses Félix Robatto, Pinduca, Mestre Solano, Saulo Duarte (junto com a banda A Unidade), Strobo, Gaby Amarantos, Jaloo, Uaná System e Beto Barbosa.
“Meu repertório da Virada é um a mistura do meu primeiro disco ‘Equatorial, Quente, Úmido’ e alguma coisa nova do segundo disco, que ainda não saiu. Eu já tenho experimentando músicas ao vivo dele, e também vou levar um pouco de Quintarrada, coisas que fazem sucesso na festa, um baile de música paraense”, adianta Félix Robatto, que se apresenta amanhã, às 19h. Com Pinduca, convidado especial do músico, ele promete ainda “um momento bem especial”, com o rei do carimbó cantando e os músicos acompanhando seus grandes sucessos.
Félix elogia o sistema de seleção dos artistas para a programação deste ano no evento. “Eles fizeram uma coisa bacana, que não sei se tinha em outros anos; chamaram artistas de diferentes vertentes para fazer curadoria dos palcos, e um deles foi o Felipe Cordeiro, chamado para escolher os artistas do palco ‘Conexão Latina’. A gente só soube depois de selecionado e achei muito inteligente fazer dessa forma”.
MISTURA SONORA BEM PENSADA

Mestre Solano é atração no domingi de manhã. (Foto: Bruno Regis/Divulgação)
No mesmo palco em que Félix toca, localizado na alameda Barão Limeira, apresentam-se os paraenses Gaby Amarantos (sábado, às 23h), Saulo Duarte (domingo, às 11h), Mestre Solano (domingo, às 9h) e Uaná System (domingo, às 5h). “O Felipe fez desse palco uma verdadeira conexão, ao incluir o Academia da Berlinda, de Recife, o Cumbia All Stars, do Peru, o Figueroas, de Alagoas. Está bem misturado, estou curtindo muito a vibe desse palco. Poucas vezes toquei numa sequência de shows tão a ver com a música que eu faço”, diz Félix.
O Uaná System – duo audiovisual criado em Belém por Waldo Squash e Luan Rodrigues – deve levar um pouco de carimbó também, além de sonoridades pesquisadas por municípios próximo a Cametá, todos com remixes e intervenções visuais, inclusive levando a imagem e a música de artistas como o Engole Cobra. “A gente quer aproveitar essa oportunidade para despertar o interesse das pessoas por esses artistas e obras desconhecidos até para a maioria de nós, paraenses, e mostrar para o povo que tem outras coisas aqui além de tecnobrega e outros ritmos que já ganharam seu espaço”, destaca Waldo.
DIVERSIDADE PARAENSE NO TEMPERO
A composição do palco “Conexão Latina”,que teve curadoria de Felipe Cordeiro e onde toca parte dos artistas paraenses no sábado e domingo, durante a Virada Cultural, permite um público aberto a novidades. Pelo menos é no que acredita o guitarrista Félix Robatto. “Compartilhar público feito de pessoas que gostam daquele estilo já dá pra gente uma boa expectativa. Tem gente que vai para assistir a Academia da Berlinda e tem gente que vai por conhecer a minha música, meu público pode conhecer e gostar do som deles e os fãs deles curtirem o meu. Estou muito confiante com o show e feliz pela oportunidade. Não estou caindo de paraquedas num palco que as pessoas estão esperando ritmos tão diferentes do meu”, diz.
Enquanto isso, o também paraense Beto Barbosa toma seu espaço no palco do Largo do Arouche, à meia-noite de domingo. A banda Strobo se apresenta no palco Alfredo Issa, ainda no sábado, às 22h, como convidada de Marina Lima. O duo formado por Léo Chermont e Arthur Kunz gravou com Marina no novo disco da cantora. Já Jaloo, com carreira despontando em São Paulo e no mundo, viverá dois momentos bem distintos na Virada 2016. Primeiro, ele se apresenta no mesmo palco que o Strobo, às 20h, com o repertório de seu primeiro álbum, “#1”. “O que começou com computador e placa de som evoluiu para um setup com teclados, bateria, percussão e muitas programações”, adiantou o músico. Na madrugada do dia seguinte, às 3h30, ele segue para a “Parada Carnavalizada – Festa Mel”, dessa vez deixando seu lado performático brilhar ao lado das comissões de frente da Mocidade Alegre e Acadêmicos do Tucuruvi. A festa ocorre na esquina das avenidas Rio Branco e Ipiranga, bem no Centro de São Paulo.

"Não estou caindo de paraquedas num palco que as pessoas estão esperando ritmos diferentes do meu", afirmou o músico Félix Robatto. (Foto: Thiago Araújo/Divulgação)
GABY FAZ SHOW INÉDITO
Além de participar do palco Conexão Latina, Gaby Amarantos ainda deve se apresentar no M’Boi Mirim, no domingo, às 17h. Em comum, o show que irá apresentar e para o qual ela se diz ansiosa para mostrar ao público. “Eu estou muito feliz de estar mais uma vez na Virada Cultural. Já é minha quinta Virada. E este ano com dois shows, em horários bem expressivos, num palco que vai estar representando a música paraense. Fiquei muito feliz com esse convite, que veio pela curadoria do Felipe Cordeiro, um cara que foi extremamente sensível à nossa música”, elogiou.
O show que ela apresenta na Virada se chama “Jurunas Som Sistema”. “É um show totalmente inédito, então acredito que a receptividade vai ser a melhor possível, até porque vai para lá quem gosta de música paraense. Vai ser incrível!”, diz Gaby, referindo-se não só aos seus conterrâneos, mas à sonoridade dos demais convidados do palco e que também têm a influencia de ritmos como a cúmbia e a lambada.
O show é enxuto, com Gaby acompanhada por um DJ e duas backing vocals. “Vamos fazer uma viagem pelos ‘soundsystems’ do mundo, a conexão que esses sons têm com brega, funk, vamos passar por sons das Américas e da Europa, incluindo músicas brasileiras, colombianas, inglesas e jamaicanas, além dos pops influenciados por esses ‘soundsystems’. Vai ser um show para todo mundo dançar”, diz.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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