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“Um” evoca um mundo místico, com movimentos afro

Inspirados em danças afro-brasileiras como o samba, danças de orixás e capoeiras, os criadores-intérpretes da Companhia Moderno de Dança começaram a desafiar a própria desenvoltura corporal e a testar provocações desconhecidas para criar novos movimentos.

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Inspirados em danças afro-brasileiras como o samba, danças de orixás e capoeiras, os criadores-intérpretes da Companhia Moderno de Dança começaram a desafiar a própria desenvoltura corporal e a testar provocações desconhecidas para criar novos movimentos. Entender como cada corpo responde ao diferente a partir de sua particularidade era o principal objetivo para a montagem do espetáculo “Um”, que será apresentado em Barcarena, hoje e amanhã, e em Santarém, nos dias 4 e 5 de junho. A companhia já passou pelos municípios de Soure, Castanhal, Marabá e Bragança nesta etapa de itinerância. A entrada é gratuita.

Realizado por meio do Prêmio de Dança Klauss Vianna, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), o processo de pesquisa da montagem começou com oficinas e laboratórios para que, a partir de exercícios coletivos, fosse encontrado um ritmo para a performance dos 12 bailarinos, homens e mulheres, que entram em cena.

“Buscamos entender a unidade na multiplicidade, como o ser humano consegue ser um a partir do seu coletivo, e esses processos foram importantes para construir a dança nos nossos corpos. Entendemos que tem de haver parceria e união”, diz Luiza Moteiro, diretora artística adjunta da companhia.

Ela explica que a concepção cênica surgiu a partir do significado da palavra “Ubuntu”, que quer dizer “eu sou porque todos nós somos”, e está relacionada com uma lenda conhecida de que quando acionadas para competir para pegar doces, crianças se uniram e chegaram todas ao mesmo tempo ao destino, sem disputar quem chegaria primeiro e então dividiram o os doces. Luiza diz que a diretora Ana Flávia Mendes Sapucahy ficou impactada com o poder e a simplicidade da história e a associou ao processo de pesquisa da companhia, que busca em cada artista uma chave de composição para os espetáculos.

“Buscamos trabalhar o corpo que vai para a cena e descobrir os passos e movimentos de dança numa eterna conquista diária de movimentações diferenciadas. Entendemos que estamos vivendo em processos, as pessoas mudam. A nossa poética tem como referência a dança imanente, que nada mais é do que a tentativa insana e eterna de investigar a dança a partir da vida de cada um dos envolvidos no processo. Nossa matéria-prima é o corpo dos intérpretes. Criamos os laboratórios a partir da vida da pessoa”, explica Luiza Monteiro.

Imbuído dessa premissa, o espetáculo “Um” é uma espécie de ritual e tem elementos que lembram terra, fogo, água e ar, com cenografia que faz referência ao universo místico e natural. Além disso, foi criada uma trilha sonora específica para a montagem pelo diretor musical e compositor Christian Perrotta, com base em instrumentos percussivos, tocados pelo músico JP Cavacanti. Também fazem parte da montagem o iluminador e produtor Tarik Coelho e Glaucio Sapucahy, diretor executivo.

“Para nós, enquanto companhia, esse espetáculo foi bastante intrigante porque trouxe à tona questões de religiosidade e da cultura de cada bailarino. A temática geral é a diversidade, então cada um se percebeu e se descobriu sobre como aquele corpo poderia sugerir mais movimentações sinuosas de tronco, que exigia mais agachamentos, diferentes das que estávamos acostumados. Causou um estranhamento, mas percebemos que é uma cultura que faz parte de nós, e nos aproximou”, revela a diretora adjunta.

O espetáculo foi apresentado pela primeira vez em 2015, na quadra da escola de samba Quem São Eles, no bairro do Umarizal, na capital paraense. A itinerância da montagem ocorre por meio da Lei Semear de incentivo à cultura, em parceria com a Fundação Cultural do Pará (FCP) e marca o aniversário de 15 anos da companhia. “Nosso grande objetivo artístico é desenvolver uma linguagem de movimento próprio. Nos afastamos de passos comuns que já existem, como dança de salão, balé clássico, no qual você aprende e só faz imitar”, conclui Luiza Monteiro.

(Domink Giusti/Diário do Pará)

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