A inquietação pode ser uma das principais razões para que nasça a performance. Dentro de um cenário tão amplo como a arte, ela transforma o artista em obra. Não conhece a ficção, prefere ser janela para questões de seu próprio tempo. Por isso, o Casarão do Boneco decidiu promover um evento totalmente dedicado a esta linguagem, o “Eu Performance”, que mudou de endereço, sendo realizado hoje, a partir das 16h, no Ministério da Cultura – Regional Norte, unindo-se ao movimento Ocupa MinC, em Belém.
“A performance começa com o incômodo, geralmente nas artes visuais, por isso é tão visual. Começa com os artistas que se incomodam com situações de suas épocas e que começam a colocar o próprio corpo como objeto, material artístico. Surgem, então, manifestações como o body suspenso, as tatuagens, experimentações extremas de mutilação”, explica Pedro Olaia, que, ao lado de Leandro Haick, Heyder Moura e Maurício Franco, idealizou o “Eu Performance”.
Ele considera que tantos artistas se aproximaram da linguagem da performance pela relação dela com arte-vida, “de você não conseguir dissociar sua vida, cotidiano, do seu fazer artístico”, diz Pedro. “Não é uma representação, como ocorre no teatro. És tu mesmo dando teu depoimento na arte, expresso com ações que resultam em imagens e provocam o outro”, completa.
A diversidade dessa linguagem fez com que os quatro artistas, todos com cerca de 10 anos de atuação, a trouxessem a partir de quatro eixos: corpo-tecnologia, corpo-celebração, corpo-rua e corpo-resistência. “Quando abordamos o tema corpo e tecnologia, estamos falando dos artistas que se utilizam da tecnologia em suas ações, do high ao low tech, ou até mesmo utilizando sucata eletrônica”, diz Pedro. Entre estes artistas, há Nando Lima, que desde a década de 1980 vem experimentando audiovisual e teatro, e hoje, com o espaço Reator, apresenta performances que se relacionam com experimentações visuais e sonoras.
O eixo corpo-celebração fala sobre o corpo preparado para a festa, para a cerimônia e casas de show. Aqui encaixam-se artistas como Rosilene Cordeiro. Diferente do que ocorre com o corpo-rua, que aborda os artistas que trabalham com o jogo na rua, como Erick e Érika, e o corpo-resistência, que aborda principalmente os corpos que desobedecem as normas impostas pelo sistema, “ou seja, contestam os padrões sociais instituídos como o eurocêntrico de beleza e normas heteronormativas”, afirma Pedro.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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