Já começou a ser transformada em filme a história real de um assassino de aluguel que matou quase 500 pessoas, narrada no livro “O nome da morte”, escrito pelo jornalista pernambucano Klester Cavalcanti, 47 anos, atual diretor de jornalismo do DOL e DIÁRIO. As filmagens iniciaram há duas semanas no Tocantins.
A produção cinematográfica, que levará o mesmo nome do livro e conta a história do pistoleiro Júlio Santana, terá direção de Henrique Goldman (do filme "Jean Charles") e elenco de atores globais como Marco Pigossi, Fabíula Nascimento e André Mattos.
O diretor Henrique Goldman (do filme "Jean Charles") ao lado de Klester Cavalcanti, autor de “O nome da morte”. (Foto: Divulgação)
Além de “O nome da morte”, outros dois livros de Klester Cavalcanti irão se tornar filmes em breve: "Dias de Inferno na Síria" (2012) e "A Dama da Liberdade" (2015).
O PISTOLEIRO
“O nome da morte” retrata a história real de um matador de aluguel identificado como Júlio Santana. Em um período de 35 anos como pistoleiro, Júlio matou 492 pessoas. Apesar do histórico, o homem convive com dramas como o medo de ir para o inferno pelos crimes cometidos.
Outro detalhe na história de Júlio Santana é que ele foi detido só uma vez. Nessa ocasião, subornou um delegado e foi solto. A figura do pistoleiro é a de um “bom sujeito que faz coisas más e não quer que elas afetem a sua vida”, segundo o diretor Henrique Meirelles, que é diretor executivo de “O nome da morte” e foi indicado ao Oscar em 2004 e melhor diretor por "Cidade de Deus".
Meirelles explica, em entrevista ao site do UOL, que o livro sobre Júlio “conta a história do ponto de vista dos personagens e não pelo do jornalista que olha de fora".
No filme, Júlio Santana será interpretado pelo galã Marco Pigossi. De acordo com o ator, que está em Tocantins para as filmagens, o personagem foge a tudo que ele já fez. Para Marco, a ideia da produção é “mostrar o lado humano do matador”.
(Foto: Divulgação)
INFERNO NA SÍRIA
O relato sobre a prisão de Klester na Síria, no ano de 2012, que deu origem ao livro “Inferno na Síria”, também se tornará filme com direção de Caco Ciocler e Mateus Solano interpretando o jornalista.
Ciocler afirmou, em entrevista ao UOL, que o livro é quase um roteiro de cinema, mas que precisa de um tratamento bem específico, por se passar, quase 80%, dentro de uma cela. Segundo o diretor, “o mais bonito do livro é que ele promete uma aventura épica, mas entrega uma história íntima num cenário devastado pela guerra".
DAMA DA LIBERDADE
O terceiro livro de Klester que será cinematografado, “A Dama da Liberdade”, conta a história da auditora fiscal do trabalho Marinalva Dantas, que libertou 2354 trabalhadores escravos no Brasil em pleno século 21. Os direitos da obra foram vendidos para a Paris Filmes, mas os nomes do diretor e do elenco ainda não foram divulgados.
Essa característica cinematográfica dos livros do jornalista levou o diretor Bruno Barreto a convidar Klester para ser roteirista de um documentário sobre trabalho escravo na televisão. Bruno foi indicado em 1997 ao Oscar de melhor filme estrangeiro por "O Que é Isso, Companheiro?".
Segundo Bruno, "Klester não tem medo da emoção. Por isso, ele não precisa da rede de segurança da narrativa minimalista". O diretor opina também que "quando os personagens são reais, é fundamental respeitar a essência deles. Se isso não é possível, a primeira coisa a fazer é mudar o nome. As vezes a realidade não é verossímil", comenta.
Considerando também a necessidade de respeitar a essência das histórias, Klester Cavalcanti afirma uma das características dos livros certamente será mantida nos filmes: o nome real dos personagens. No livro “O nome da morte”, por exemplo, Klester informa nomes e sobrenomes dos mandantes dos crimes, que contratavam Júlio Santana.
O jornalista conta que faz questão de “dar nome e sobrenome de todas as pessoas citadas nos meus livros. Se você escreve um livro e não identifica o personagem, então é ficção", comenta.
(Com informações do UOL)
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