O coletivo de teatro mineiro Primeira Campainha, contemplado pelo Prêmio Funarte De Teatro Myriam Muniz/2014, apresenta em Belém dois espetáculos de seu repertório. Esta é a forma que o grupo escolheu para celebrar cinco anos de existência, passando ainda pelas regiões Nordeste e Sudeste do país. Por aqui, se apresentam no Teatro Universitário Cláudio Barradas, amanhã, às 18h e às 20h, com “Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões”, e na sexta-feira, às 18h e às 20h, com “Isso é para Dor”. Ambos seguidos de bate-papo com a plateia após a sessão das 20h.
“Será a nossa primeira vez em Belém, será a nossa primeira vez no Norte! É nossa primeira grande circulação. Já passamos por Recife e Fortaleza e foi maravilhoso, foi importante, conhecemos muita gente, grupos, artistas. Conhecemos vários artistas de Belém que já passaram por Belo Horizonte, por festivais da cidade ou que viveram lá durante um tempo. Mas não temos contato com nenhum grupo, seria uma oportunidade de trocar figurinha de conhecer mais o trabalho daí”, já comemora a atriz Marina Viana.
Quando o grupo fez o projeto de circulação ainda não tinha estreado seu quarto espetáculo, “A Tardinha no Ocidente”, que conta, a partir de jogos de rua, momentos marcantes da história do Brasil República. Até aquele momento, “Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões” e “Isso é Para Dor” eram seus espetáculos em repertório. O primeiro foi elaborado em 2010, com direção e dramaturgia do grupo, trazendo uma comédia existencial onde as atrizes constroem um almanaque de pós-modernidade repleto de referências à cultura pop, nerd, trash, cinematográfica e musical.
“Ele é o que chamamos de ‘Teatro Fanzine’. O fanzine apareceu como conceito quando construímos nosso teatro, algumas de nós tiveram fanzines na adolescência e essa coisa de recortar, colar e xerocar se assemelhava com o que estávamos fazendo no palco. Quando nos juntamos para nossos primeiros trabalhos, não tínhamos voz. Nós que, teimosamente, subimos no banquinho, e enquanto uma gritava no palanque improvisado, a outra segurava a lanterna, outra apertava o play. Acontecíamos a qualquer custo”, diz Marina Viana.
Já em “Isso é para a Dor”, o grupo contou com a presença do encenador Byron O’ Neill, que fez também a dramaturgia e direção. “São duas experiências bem diferentes, mas não deixam de carregar a clara identidade dos seus colaboradores”, observa a atriz. Nele, três mulheres – Benjamim, Shirley e Vonda – ensaiam sobre seu próprio estar em um mundo que desmorona. Outras referências foram trazidas à cena, como o discurso final de Charles Chaplin em “O Grande Ditador” e o desfecho trágico de “O Lago dos Cisnes”. Nesta última montagem também foi a primeira vez que o grupo trabalhou com uma trilha sonora original. “Foi importantíssimo sacar como funciona trabalhar com músicos no processo de criação do espetáculo. Mas nos dois espetáculos existem três mulheres pensando aspectos da vida e da morte, com doses alternadas de escracho e absurdo”, afirma Marina Viana.
TEATRO COLABORATIVO
Marina Arthuzzi, Marina Viana e Mariana Blanco se conheceram em 2006, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e dividiram a mesma casa entre 2007 e 2014. O imóvel, no bairro Floresta da capital mineira, que acabou batizando o coletivo em 2010 – “Primeira Campainha faz referência ao complemento do endereço e trata-se da primeira casa dos fundos”, explica a Marina Viana –, é um espaço onde hoje acontecem intensas trocas afetivas e artísticas.
Mesmo nos períodos em que a companhia teve sede compartilhada com outros grupos e artistas da cidade, a casa sempre foi um lugar de articulação e produção de todas as realizações do coletivo. “Desde 2007, artistas de diversas áreas têm se encontrado neste espaço/casa e partilhado o cotidiano e as ideias, trabalhando de forma independente e colaborativa, através de crowdfunding, desdobrando redes de compartilhamento entre artistas”, destaca a atriz.
Para as atrizes, a Primeira Campainha se configura como um “bando de artistas que convergem pessoas e projetos em torno de uma linguagem teatral libertária, verborrágica e cômica”. A variedade temática das produções flerta com o teatro de revista e o pastiche, capaz de fazer paródia do próprio teatro e suas vedetes absurdas, que “plagicombinam” discursos, copiam, colam, reeditam. “Sem patrocínio e sem vergonha na cara!”, brinca Marina Viana.
Além dela, Marina Arthuzzi e Mariana Blanco também participam do bate-papo com o público no final da segunda sessão, nos dois dias de circulação por Belém, no próprio ambiente do teatro.
ASSISTA
Espetáculos do grupo Primeira Campainha
“Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões”
Quando: Amanhã, às 18h e às 20h (duas sessões)
“Isso é para a Dor”
Quando: Sexta-feira, às 18h e às 20h (duas sessões)
Bate-papo com o público após as sessões das 20h.
Onde: Teatro Cláudio Barradas (Rua Jerônimo Pimentel, 546, Umarizal)
Informações: (91) 98177-7504.
Quanto: R$ 20 (inteira).
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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