A cantora paraense Janaína Reis cresceu ao som dos tambores na Umbanda, no terreiro comandado pela sua avó, em Castanhal, nordeste do Pará. A carga percussiva que a contagiava foi decisiva para que, mais tarde, surgisse a paixão pelos ritmos que têm essa marca sonora. Apaixonada pelo samba, ela percebeu que a música que entoava nos seus ouvidos de criança a influenciou bastante, a ponto de investir na área e tornar-se cantora do ritmo genuinamente brasileiro. Morando no Rio de Janeiro há 12 anos, hoje ela atua como assistente administrativa no Museu do Samba.
Por lá, ela atuou na pesquisa do projeto “Dossiê e Inventário das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro”, para, junto ao Instituto do Patrimônio Historio e Artístico Nacional (Iphan), reconhecer o samba como patrimônio cultural e imaterial do Brasil.
Também fez parte, como cantora, do disco “Sambas para Mangueira”. O disco duplo tem a participação de 31 grandes nomes do samba carioca, como Alcione, Beth Carvalho e Martinho da Vila e pela Velha Guarda da Mangueira, e foi lançado no início deste ano em parceria com a Biscoito Fino.
“É um disco composto por pessoas já reconhecidas no mundo do samba e pela nova geração, que é onde eu entro. Eu sempre fui mangueirense e aí vim para a escola com uma amiga para conhecer o trabalho social que eles desenvolvem. A ideia nem era morar aqui. Aí acabei ficando, ajudando, colaborando como voluntária e depois comecei a trabalhar lá, primeiro no Centro Cultural Cartola, que virou o museu. O foco maior é a pesquisa do samba, com pesquisas sobre referências do ritmo”, conta a cantora.
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Mesmo sendo formada em Arquitetura e Urbanismo, Janaína estudou paralelamente teoria musical, canto lírico, canto coral e violão clássico durante dois anos no Conservatório Carlos Gomes. No início dos anos 2000, integrou, na capital paraense, a banda Esplendor, uma banda de baile que fazia apresentações em eventos. Mesmo tendo gravado dois discos com a banda, sentia-se desgostosa pela falta de trabalho autoral. Instigada a seguir os rumos próprios, começou a trabalhar no seu disco “Choro Novo da Senzala”, gravado no Pará e na capital carioca – produzido por Luiz Carlos Torquato Reis, ganhador de dois Grammys com CDs de Zeca Pagodinho e Martinho da Vila. O álbum foi lançado em 2004.
O título do disco é uma música de autoria de Rita Reis, mãe da cantora. “Conta a história do nascimento de mais um cidadão brasileiro, negro, livre, numa evocação à quebra dos preconceitos raciais e a um melodioso grito alusivo à liberdade e à paz. Também vim para Belém para nunca perder esse vínculo e fizemos os arranjos com Luiz Pardal e Adelbert Carneiro. Consegui participações especiais de Arlindo Cruz, Fafá de Belém, Rildo Hora e Sombrinha. E para realizar, contei com a colaboração de Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Arlindo Cruz, Sombrinha, Genaro da Bahia, Rildo Hora, Paulão 7 Cordas, Maestro Leonardo Bruno, Cláudio Jorge. É a turma do samba”, diz.
Janaína também já foi premiada em vários festivais de música de Belém e do interior do Estado, como o Servifest, o Festival da Canção de Ourém, o Festival da Assembleia Legislativa, entre outros.
(Dominik Giusti)
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