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Colóquio em homenagem ao poeta Max Martins

Ventos-de-carne. O filósofo paraense e crítico de literatura Benedito Nunes costumava dizer que a poesia de Max Martins, poeta paraense, era isso: ventos-de-carne. Talvez porque a palavra espalha, para quem a lê, e abre para experiências íntimas. Consider

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Ventos-de-carne. O filósofo paraense e crítico de literatura Benedito Nunes costumava dizer que a poesia de Max Martins, poeta paraense, era isso: ventos-de-carne. Talvez porque a palavra espalha, para quem a lê, e abre para experiências íntimas. Considerava os escritos sobre dores, solidão, o outro e nós, isso que se espraia do que vem de dentro. Contemporâneos na Belém de outrora, ambos compartilharam momentos únicos nas rodas de intelectuais na capital paraense. Falecido em 2009, Max deixou um legado de mistério em suas palavras.

Se vivo estivesse, completaria 90 anos no próximo dia 20 e, para lembrar a data, o Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPA realiza de hoje até sexta-feira, 17, o Colóquio Max Martins 90, no campus Guamá, na capital paraense. A ideia é promover discussões acerca da vida e obra do autor, para estimular novas pesquisas sobre a sua poesia e também para divulgar sua produção.

Autodidata, Max Martins teve sua obra completa publicada em 1992, sob o título “Não para Consolar” (republicada pela UFPA em 2001). A obra recebeu o prêmio de poesia Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1993, e traz entre os títulos que compõem a antologia, “O Estranho” (1952), resultado das suas poesias publicadas no suplemento literário do antigo jornal “Folha do Norte”, “Anti-retrato” (1960), “O Risco Subscrito” (1980).É a palavra mínima, em sua máxima potência semântica. Com versos simples e curtos, celebrava a escrita e sua perfeita articulação em frases por vezes enigmáticas.

De acordo com a professora Mayara Ribeiro Guimarães, organizadora do evento, o poeta se entrega à palavra, e sua obra é ancorada no vigor do signo. Durante o colóquio, o objetivo é alcançar as suas várias faces. “Vamos falar sobre a vertente erótica, a importância dele para as novas gerações, como o poeta e amigo Age de Carvallho, e outros mais recentes, de outros estados. E também a sua relação com a natureza, sobretudo, e com a solidão, como os dias em Mosqueiro, seu lugar de descanso e de retiro, e que está presente na sua produção e foi inspiração. Era uma relação muito especial e íntima”, diz.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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