“Eu não espero o São João chegar, eu vivo o São João”. É dessa forma que Marco Antônio Cunha Brito, conhecido como Marco Fofão, encara a sua missão há 15 anos à frente da quadrilha Fuzuê Junino, no bairro da Pedreira, em Belém. A equipe foi a campeã dos concursos promovidos pelo Estado e pelo município no ano passado, além de levar o título do concurso nacional promovido pela Confederação Brasileira de Quadrilhas, em Palmas, no Tocantins. O grupo volta a disputar o título do Arraiá da Capitá este ano, entre as 54 quadrilhas participantes, que se apresentam a partir de hoje, na Praça Waldemar Henrique, sempre a partir das 19h.
Além das quadrilhas adultas e infanto-juvenis, estão na programação dez grupos de boi bumbá, 18 grupos parafolclóricos, sete grupos de toada, três grupos de carimbó e dez grupos de pássaros juninos/cordões de bichos. Nove quadrilhas mirins disputam o Concurso de Quadrilhas Juninas, na categoria infantojuvenil, no dia 19, em fase única, a partir das 17 horas. A apuração será no dia 26 de junho, com premiação para as cinco primeiras colocadas.
A cada dia, serão nove quadrilhas dividindo o espaço da praça nas apresentações. A Fuzuê Junino está na lista das se que apresentam na próxima quarta-feira, dia 22. Para o evento, o grupo preparou uma homenagem aos 400 anos de Belém. São 30 casais dançando, com um espetáculo que vem sendo ensaiado desde outubro do ano passado. “Todas as roupas possuem imagens de 28 cartões postais, com muita pedraria e adereços para mostrar a Belém da Belle Époque. Como essa data é marcante, a gente não poderia deixar de fazer a nossa homenagem, trazendo músicas que ninguém dançou ainda”, diz o presidente Marco Fofão, que conta com Ney Brabo para realizar as pesquisas musicais e as coreografias de cada apresentação.
O investimento é alto para cativar o público. Cada fantasia, diz Fofão, custa em média R$ 1,2 mil. Por isso, o grupo gasta mais de R$ 50 mil para se apresentar. Motivo pelo qual ele diz que a subvenção dada pela prefeitura a cada grupo no valor de R$ 2,5 mil “não dá para comprar os sapatos”. Segundo a prefeitura, no entanto, o auxílio-montagem é um recurso financeiro destinado aos grupos para ressarcimento de parte das despesas com montagem dos trajes.
Se a ajuda é pouca, Fofão, que cresceu dançando na antiga quadrilha Flor de Primavera, coordenada pela Dona Isabel, diz que tudo só acontece porque é fruto de amor e muita dedicação pela cultura popular. Foi com ela que aprendeu que não é fácil manter a disposição para continuar com grupos que geralmente não têm patrocínio e dependem mais da vontade dos integrantes para se manter ativos.
A despeito de toda a lista de títulos conseguidos pelo grupo, é com rifas, bingos e caixinhas que a Fuzuê Junino desenvolve seu trabalho e custeia suas produções de roupas, adereços e viagens – para fora do estado e para o interior também. “É muita disciplina e amor. Isso para mim é a minha vida. Já são 35 anos de São João. Eu era dançarino. No começo não é fácil, mas hoje a gente já recebe pessoas interessadas em dançar, tanto que temos que selecionar. Nos nossos ensaios, a gente busca deixar tudo perfeito, em harmonia. No concurso nacional, por exemplo, eu não tive medo. Fui primeiro para saber como era e quando chegamos lá já sabia que íamos ganhar”, diz, cheio de orgulho, o diretor.
VEJA
Arraiá da Capitá
Quando: de hoje a 23/06, a partir das 19h, menos dia 19, a partir de 17h
Onde: Praça Waldemar Henrique – Comércio
Hoje: Quadrilhas Flor do Norte – Tapanã; Emoção Junina – Terra Firme; Encanto Junino –Outeiro/Água Boa; Rainha da Juventude –Batista Campos; Revelação do Marco –Marco; Hiper na Roça – Marco; Encanto Tropical – Tapanã; Revelação da Cremação – Cremação; Explode Coração – Telégrafo
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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