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Festival apresenta obras de videomapping

Uaná significa vagalume em tupi-guarani, língua indígena brasileira. E este foi o nome escolhido para batizar o projeto do artista multimídia Luan Rodrigues e do DJ Waldo Squash, o Uaná System, que apresenta projeções em vídeo a partir do “live audiovisua

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Uaná significa vagalume em tupi-guarani, língua indígena brasileira. E este foi o nome escolhido para batizar o projeto do artista multimídia Luan Rodrigues e do DJ Waldo Squash, o Uaná System, que apresenta projeções em vídeo a partir do “live audiovisual” – uma mistura de imagem e sons sincronizados, com referências do interior do Estado e de músicas latinas. Criado em 2013, a partir de viagens que ambos realizaram e ainda realizam profissionalmente, a ideia é misturar arte, tecnologia e experimentar sonoridades e imagens. Eles estão entre os artistas que participam do 2º Festival Amazônia Mapping, que abre hoje e vai até o próximo sábado, dia 25, em frente ao Museu do Estado do Pará (MEP), no centro histórico de Belém.

Segundo Luan Rodrigues, tudo começou em uma viagem a Soure, na Ilha do Marajó. Por lá, encontrou um livro do padre Giovanni Gallo com grafias marajoaras para ponto cruz, para estampar roupas. Ele tratou logo de ter um exemplar e vetorizar as imagens para transpô-las para a projeção. “Fiquei fascinado. A princípio, era para fazer um cenário para um show da Gang do Eletro, mas acabou que foi ficando maior”, diz Luan, que paralelamente pesquisava seres unicelulares no livro de Ernst Haeckel.

“Vi semelhanças com seres da Amazônia e criei animações. Daí virei para o Waldo e disse: ‘Já estou fazendo a pesquisa de imagens, por que tu não fazes as músicas? Vamos dividir.’ E ele topou. Sou rato de música, pesquiso desde jovem. É uma construção visual minha, com ele fazendo áudio, com referências das nossas viagens. Serão 40 minutos de apresentação, com músicas inéditas e conteúdo visual para caminhar junto, com essa atmosfera amazônica”, explica o artista.

Ele diz, ainda, que musicalmente o projeto Uaná System está sempre em construção, por reunir elementos que são coletados durante as viagens, como sons da natureza, elementos da cultura popular paraense e estéticas próprias da região junto a sofisticadas intervenções de softwares e apelo ao digital.

“A gente também apresenta músicas já conhecidas de carimbós, cúmbia, siriás, com remix e releituras”, diz Luan.

(Foto: divulgação)

DIÁLOGOS COM ESPAÇOS URBANOS

Esta é a segunda edição do Festival Amazônia Mapping, organizado pela produtora 11:11, com coordenação da artista visual Roberta Carvalho. Interessada em pesquisar e criar por meio de arte e tecnologia, Roberta criou o festival com a ideia de apresentar mappings e realizar atividades de intercâmbios entre artistas paraenses e de outros lugares.

O argentino Javier del Olmo também compõe a programação. Ele apresentará performance no Ver-o-Peso e fará uma pesquisa de desenhos com os vendedores locais, para posteriormente usá-los nas projeções. Javier apresenta o projeto “Circular de Dibujos”, onde usa espelhos para refletir os desenhos que ele coletará no mercado de Belém. Este trabalho será reapresentado na noite do dia 25, no MEP. “Isso nos mostra que nem toda projeção é high tech”, destaca a organizadora do evento.

Já a artista Veruscka Girio (Astronauta Mecânico) fará projeções na fachada do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e apresentará uma performance audiovisual ao vivo, onde manipulará som e imagem em tempo real.

Caio Fazolin apresenta “Espectro”, criada em parceria com a Associação Fotoativa, a partir de imagens de Belém capturadas por meio de câmeras pinhole.

(Foto: divulgação)

A programação terá ainda a participação de Alexandre Sequeira, com a transposição das imagens e instalações feitas em Nazaré do Mocajuba, pequena vila de pescadores no município de Curuçá, nordeste do Pará, no qual transpôs em lençóis, redes e outros tecidos os moradores do vilarejo. Neste novo desdobramento, os tecidos terão maior dimensão.

Roberta conta que o festival serve também para estimular o tipo de arte que é feito nas ruas e sai do convencional, para atingir outros públicos. Quem deseja saber mais sobre mapping, pode participar do FAM por meio de laboratórios gratuitos com artistas convidados. De 17 a 19 de junho, Ihon Yadoya ministra o laboratório “Vivência técnica de videomapping e projeções interativas”. De 22 a 24 de junho, Caio Fazolin ministra o laboratório “VVVV - Ambiente de Programação Gráfica”. De 23 a 25 de junho, Astronauta Mecanico promove o laboratório “Mente de Principiante”.

“Busco trazer artistas que de alguma forma vão criar conteúdos que dialogam com a cidade. São trabalhos relacionais e procurei ter esse cuidado, de ter um vínculo com a cidade. A ideia do festival é criar intercâmbios e esse ano as atividades serão ministradas por três artistas que buscam criar e capacitar”, explica Roberta Carvalho. Outros convidados da programação são a Companhia Mirai de Dança (PA) e o rapper Pelé do Manifesto com seu grupo TQSS CREW (PA), cuja apresentação terá interação com videomapping, que amplia de forma monumental grafites espalhados na cidade de Belém.

ACOMPANHE

2º Festival Amazônia Mapping - FAM 2016
Quando: de hoje a 25/06
Programação completa e informações: (91) 993682300/ amazoniamapping.com

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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