O“Festival Sonido – Música Instrumental e Experimental”, idealizado pela produtora Se Rasgum, vai ser realizado este ano, provavelmente no final de agosto, com patrocínio do Banco do Estado do Pará (Banpará). Até a última quinta-feira, 16, a produtora lamentava a falta de apoio neste ano de crise, mas já na sexta, 17, o banco informou que repetirá a dobradinha do ano passado e garantirá a realização do festival, em Belém.
De acordo com Marcelo Damaso, diretor da Se Rasgum, a equipe recebeu uma proposta de valor a ser repassado pelo patrocinador via Lei Rouanet de incentivo à cultura, do Governo Federal (o festival tem carta de crédito de 100% de isenção de Imposto de Renda por ser destinado à música instrumental). Ele diz que o montante vai permitir uma edição compacta, no mesmo Mercado de Carne no Ver-o-Peso que abrigou a estreia no ano passado. Procurada, a assessoria do banco disse apenas que “as escolhas seguem as políticas de patrocínio do banco”.
“É bacana realmente poder contar de novo com o banco e saber que eles estão sensibilizados para este assunto. Isso demonstra um reconhecimento de que o festival é importante para a cidade, para as pessoas e para a própria instituição. O que nos deixaria muito felizes seria a criação de um edital para patrocínios culturais e que mais projetos pudessem ser contemplados”, diz Marcelo Damaso.
O diretor informa que o projeto está estruturado desde o início do ano e estava previsto para ser realizado neste mês de junho, mas que por conta de trâmites burocráticos no Ministério da Cultura (Minc) – gestor de Lei Rouanet –, que foi extinto e recriado no governo do presidente interino Michel Temer, e também da ausência de patrocínio, o evento acabou sendo adiado. Por estes motivos, a programação está sendo refeita, junto aos artistas e bandas anteriormente contatados.
Curadoria de olho em novos trabalhos
O “Sonido” teve a sua primeira edição em 2015, e reuniu as bandas Hurtmol (SP), Guizado (SP), Anjo Gabriel (PE) e La Cumbia Negra (SP) ao lado de Sebastião Tapajós, violonista paraense conhecido internacionalmente, Careca Braga, banda Strobo, A Trip to Forget Someone & Escarabajo, por exemplo. Foram três dias de evento, reunindo 12 bandas e projetos de videomapping – intervenções de projeção de vídeo em espaços públicos.
Damaso explica que o projeto era um anseio antigo da produtora, mas que até 2015 não haviam conseguido patrocínio para tirá-lo do papel. “Queríamos fazer algo instrumental com essa pegada mais experimental, sem cair muito pro regional e jazz, já que existem outros festivais desse tipo, e pensamos em algo experimental mesmo, desde as texturas de cores ao local e aos formatos em cima do palco. Por isso a escolha pelo belo Mercado Francisco Bolonha, pelo mapping nas paredes e fachadas, pela experimentação de cores dentro do mercado e aos encontros de dois artistas num só show, como foi o caso de Manoel Cordeiro e Sebastião Tapajós, e do Strobo com o percurssionista Márcio Jardim”, explica Damaso.
Sobre a programação deste ano, o diretor informa que a equipe de curadoria está “de olho no trabalho novo do Esdras Nogueira, saxofonista da banda Móveis Coloniais de Acaju”. “Também adoramos os discos novos do Lucas Estrela e do Rafael Azevedo”, antecipa Damaso.
(Dominik Giusti/Diáerio do Pará)
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