Após seis edições consecutivas, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, criado em 2009, chegou à sua edição de 2016 reelaborado e disposto a ir além das questões de edital. A tradicional seleção dos participantes foi substituída pela pesquisa sobre o que, ao longo dos anos, foi sendo apresentado. De acordo com Mariano Klautau Filho, coordenador do projeto – que é promovido pelo jornal DIÁRIO DO PARÁ com o patrocínio da Vale, além das parcerias da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará – a ideia desta sétima edição é pensar na arte enquanto um bem público, com abrangência nacional.
As mostras “Coleção Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia” e “Belém: Ressacas, Heranças”, que encerram hoje no Museu da UFPA e também na Casa das Onze Janelas, reúnem obras de artistas paraenses e de outros Estados e privilegiam a pesquisa das imagens e seu conjunto.
Uma extensa programação foi realizada em quase seis meses, com palestras, workshops e visitas guiadas nos museus. Isso porque, desde o início, o prêmio não se configura apenas como um certame, mas uma ação continuada para estimular a produção e olhar crítico sobre a fotografia.
Confira entrevista com o coordenador geral do projeto em que ele analisa a iniciativa.
Qual a sua avaliação sobre a edição deste ano, que optou rever o acervo?
Creio que o resultado é mais do que positivo. Não revimos o acervo. Na verdade, constituímos oficialmente, junto com o MUFPA e Casa das Onze, a Coleção Diário Contemporâneo com 46 artistas do Brasil todo e que passa a ser um bem público, para além de um edital. É a consolidação do Prêmio como um projeto que tem interesses maiores de formação e pesquisa. E também estamos muito contentes com o desenvolvimento das ações educativas, fazendo um trabalho com as escolas e as crianças.
Como se deu a formação da coleção e o que destacar dentro desse conjunto? Há alguma linha especial, algum traço de unidade, após rever o que foi feito?
Foi se formando com os premiados, depois com os doadores, artistas que toparam doar seus trabalhos a partir de convite da curadoria, e os artistas convidados paraenses, que tiveram exposições especiais em várias edições. Destaco o diálogo entre a produção daqui com outros Estados e também o fato de que a coleção é representativa de parte da produção de arte contemporânea realizada no país reunindo gerações diferentes.
Esta edição marca um momento diferente na história da premiação. Quais os desafios futuros? Há algo que precisa ser reelaborado ou revisto?
Sim, bastante diferente, e isso nos traz uma vontade enorme de avançar em propostas novas. Estamos matutando mudanças, mas para isso temos que discutir internamente outras abordagens para realizar o projeto.
Depois de sete anos, a mostra principal reúne as obras de premiados e outras doadas por artistas. O que se considerou para esta exposição e o que a curadoria escolheu para representar o acervo
Todos os artistas estão sendo exibidos pela primeira vez como acervo. A dificuldade foi apresentar todos os trabalhos como um panorama. Se você prestar atenção, o panorama é constituído por espécies de ilhas, agrupamentos que dão a ideia geral, porém o conjunto de cada artista permite evitar a fragmentação excessiva de uma mostra coletiva.
Além da mostra principal, a mostra “Belém: Ressacas, Heranças” traz o que você diz ser um paradoxo. Voltar os olhos para as ruínas de uma cidade quando ela completa 400 anos é manter o olhar crítico e vigilante para com a capital. Qual a importância de se falar, por meio da arte e da imagem fotográfica, sobre o tema?
Belém, apesar de ser uma cidade especial e com muita personalidade, é infelizmente um lugar abandonado pelo poder público. É preciso não cair mais na cilada do romantismo. Nossa cidade está doente, tem problemas graves de cidadania e preservação do espaço urbano e da arquitetura. A exposição reflete isso quando propões pensar o que podemos fazer com as nossas ruínas, que resistem apesar de tudo. A fotografia é um excelente meio para nos colocar diante dessa situação, da percepção sobre a realidade. Todo esse movimento de construção dos acervos é uma maneira de valorizar o trabalho excelente dos museus de Belém. E agora, é vergonhoso constatar que o Governo do Estado toma uma atitude arbitrária e sem transparência para acabar com o Museu Casa das Onze Janelas. É uma atitude covarde com os artistas, professores e arte-educadores, que merecem respeito. Não aceitamos essa atitude.
| última chance7º Prêmio Diário Contemporâneo de FotografiaOnde: Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (Pça. Frei Caetano Brandão s/n- Cidade Velha)Quando: até hoje, das 9h às 13hOnde: Museu da UFPA (Av. Gov. José Malcher, esquina com Av. Generalíssimo Deodoro)Quando: até hoje, das 10h às 14hInformações: (91) 3355-0002 / 98367-2468 |
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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