O estudante Mateus Castro, de 17 anos, aluno da Escola Estadual Albaniza de Oliveira Lima, no bairro do Marco, em Belém, visitou pela primeira vez uma exposição de arte na última quinta-feira. Ele visitou o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), para conferir a mostra do 7º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, que pode ser visitada somente até hoje. A princípio, ficou observando as imagens e buscou conversar com os mediadores culturais, Tayane Peres, Andresa Carvalho e Lucas Negrão – estudantes de artes visuais da UFPA. O aluno estava instigado e queria saber o que se passa pela mente criativa dos artistas e como o processo artístico é desencadeado.
“Quando cheguei, não entendi muita coisa. O que significa essa foto? Busquei perguntar para saber mais sobre as imagens. A que mais me chamou atenção foi a que tem outdoors abandonados do artista Péricles Mendes. Isso me foi explicado e como a gente pode tirar diversos entendimentos. Eu percebi como uma relação nossa com a natureza, com a poluição visual. A visita é uma experiência nova para mim, pois a gente se distrai muito com a internet e às vezes não visita esses espaços. Com certeza abre algo em nós”, diz o estudante.
O primeiro contato foi fundamental para ele descobrir a arte como uma possibilidade de decodificar o mundo ao redor, por meio de diferentes linguagens. A equipe que recebe os visitantes é preparada para receber alunos de todas as faixas etárias, entre crianças e adolescentes, e idosos. Até mesmo um grupo de pessoas em situação de vulnerabilidade social, que moram na rua, foi levado para conferir a mostra. Essa é uma ação que cresce a cada ano dentro do projeto do Prêmio Diário. De acordo com Cinthya Marques, coordenadora das atividades educativas do prêmio, as mostras recebem em média cem pessoas por dia a partir de agendamentos com escolas e grupos interessados em visitar os espaços.
“Nós pensamos na mediação para viabilizar o acesso à arte para a comunidade em geral, para aproximar as pessoas da arte contemporânea e da sua realidade. Foram dois meses intensos de agendamentos, com a possibilidade de trocas de informações e de gerar conhecimento. O projeto possui um ônibus disponível para o transporte dos alunos e professores e isso é fundamental para o acesso às obras, para que esse diálogo seja feito não para impor uma verdade sobre a obra, mas para que o visitante possa ter várias interpretações”, explica a coordenadora.
Foi justamente o que ocorreu com outro estudante, Marcelo Souza Junior, de 18 anos. O contato que ele teve com um museu foi quando visitou os espaços museais de Soure e Salvaterra, na Ilha do Marajó, voltados para a cultura local, artesanato e os costumes de vida marajoara. Mas o contato com arte contemporânea o deixou muito curioso, por ser totalmente diferente do que já havia encontrado. A obra que mais o impactou foi o projeto “Symbiosis”, da artista visual paraense Roberta Carvalho. “Vi aquele rosto grande na copa da árvore e os mediadores me falaram sobre a relação do homem com a natureza”, contou.
Para a colega Kezia Silva, de 15 anos, a novidade foi saber mais sobre fotografia, algo de que ela gosta muito. Em um curso na sua escola, o professor falou sobre algumas técnicas e perspectivas. E na visita, seu olhar atento buscou identificar o olhar do artista que fez a obra. “Aqui eu percebo algumas escolhas pelo enquadramento, por exemplo. Mas a fotografia tem também seu significado e tenho vontade de conhecer mais”, diz a estudante.
Para a professora de língua portuguesa Sueanne Freitas, que conduzia o grupo, a atividade extraclasse é fundamental para adquirir conhecimento além da escola e permite novos ambientes de aprendizado. “´Para nós, é estimular que façam parte de um círculo cultural enriquecedor, que muitas vezes eles não têm oportunidade”, disse.
Mediaçãoajuda a criar relação com obra de arte
O trabalho da mediação exige estudo e dedicação aos visitantes, já que é por meio do diálogo que uma obra pode ser melhor compreendida pelo público. Para Tayane Peres, a experiência também trouxe uma nova perspectiva para a sua formação enquanto artista, que é entender como o público recebe uma obra. “Estamos aprendendo a lidar de forma diferenciada com as pessoas, para falar sobre arte. Então, precisamos de didática principalmente com os adolescentes, que estão sempre no celular”, conta.
A colega Andresa Carvalho também acredita que essa dinâmica proporciona novas visões da sua futura profissão. “A gente geralmente fica fazendo nosso trabalho e aqui vemos a reação das pessoas”, diz. Lucas Negrão destaca que a experiência com o público infantil o surpreendeu, por achar que estão mais sensíveis à recepção da obra. “A gente viu alguns que estavam aprendendo a escrever desenhando letra por letra os nomes dos artistas. E quando falávamos sobre as obras, eles pensavam muito parecido com o artista que a fez”, contou.
| última chance7º Prêmio Diário Contemporâneo de FotografiaOnde: Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (Pça. Frei Caetano Brandão s/n- Cidade Velha)Quando: até hoje, das 9h às 13hOnde: Museu da UFPA (Av. Gov. José Malcher, esquina com Av. Generalíssimo Deodoro)Quando: até hoje, das 10h às 14hInformações: (91) 3355-0002 / 98367-2468 |
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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