O paulista Thiago Pethit, os paraenses de Parauapebas do Céus de Abril, os uruguaios do Molina y Los Cósmicos e a carioca Bárbara Ohana. Estas são as primeiras atrações confirmadas para o 11º Festival Se Rasgum, de 1º a 5 de novembro, no Hangar, em Belém.
Após 10 edições, já foram mais de 300 bandas apresentadas e isso gera desafios: o que escolher, afinal? De acordo com Marcelo Damaso, diretor do evento, muita coisa mudou ao longo dos anos. A equipe que escolhe as atrações do festival, por exemplo, já pensou em não repetir bandas, mas agora desencanou. Caso de Pethit, que já tocou no festival em 2012. E os fãs têm peso nisso, além, claro, da qualidade do material apresentado pelos grupos.
“Quem se mantém no mercado depois de tanto tempo merece mesmo estar tocando. Então, nós damos ouvidos ao público, sim, tentamos diversificar ao máximo os estilos e voltamos nossa atenção para duas coisas importantes: quem está fazendo um ótimo show e quem está com trabalho novo ou algo bem relevante”, diz Damaso, explicando, ainda, que a escolha acontece depois de muita pesquisa e discussões conjuntas.
A perspectiva de seleção foi sendo alterada desde a primeira edição, acompanhada pelo próprio movimento da cena musical e o surgimento de novos grupos, no Pará ou nacionalmente. Desde a segunda edição, bandas internacionais começaram a se apresentar no evento, que tem em média 25 atrações todo ano. Damaso confirma que além de Molina y Los Cósmicos, este ano mais duas bandas do exterior compõem a programação.
“Agora, a oferta é maior e temos mais chances de a cada ano trazer mais artistas, senão seria algo repetitivo e cansativo. Tem muitos artistas que nunca trouxemos e queremos trazer. Não damos conta de tanta coisa. Isso é bom e ruim. O que precisamos mesmo é de mais festivais em Belém, que mais produtoras façam mais shows, que casas noturnas apostem nessa cena rica e diversificada. Há demanda e há público”, acredita.
SAIBA MAIS SOBRE OS ARTISTAS
Céus de Abril
O casal Wilson Alencar (guitarras e vozes) e Stéfany Martins (sintetizador e vozes) conta com Renato Araújo (baixo) para formar a banda Céus de Abril, de Parauapebas. Ano passado, eles lançaram o EP “Último Adeus”, pelo selo paulista The Blog That Celebrates Itself Records, de Renato Malizia. O som do trio vem do impacto da escuta de música “April Skies”, da banda escocesa Jesus & Mary Chain. Tem referências de Ringo Deathstarr, Asalto Al Parque Zoológico e Heavïness – a nova geração de shoegazer, estilo de rock alternativo que significa algo como “olhar para o chão”, uma poesia com guitarras distorcidas e sintetizadores. Tem letras em português e fala de amor e relacionamentos.
Thiago Pethit
Artista paulistano, Thiago Pethit estudou literatura, então suas canções são muito dedicadas às letras. Em 2008, lançou o EP “Em Outro Lugar”, com músicas em português, inglês e francês e participação de Tiê. Em 2010, ele lançou o primeiro disco, “Berlim, Texas”. Tem como referências Leonard Cohen, Tom Waits, Mutantes, dentre outros.
Molina y Los Cósmicos
O som folk, indie e costeiro do uruguaio Nicolás Molina, que se apresenta acompanhado de r Martín Méndez, Ignacio Vitancurt, Sebastián Arruti, Andrés Mastrangelo e Emma Ralph, é daquelas sonoridades leves e gostosas de ouvir. Surgido em 2009, o grupo faz um mix de rock tradicional e músicas sul-americanas. O primeiro disco, “El Desencanto” (2014) foi bem recebido pela crítica, sendo considerado o disco do ano por especialistas da Argentina, Espanha, Brasil e do Uruguai.
Bárbara Ohana
Sim, o sobrenome já diz algo: a cantora Bárbara Ohana é sobrinha da atriz Cláudia Ohana. Carioca radicada em São Paulo, lançou em 2014 o primeiro single, “Golden Hours”, gravado em Chicago. Ela já trabalhou com Gilberto Gil e Jorge Mautner, como backing vocal. Mas a sua potente voz logo se sobressaiu para a vontade de fazer algo solo, com canções em inglês. Seu mais novo clipe “Your Armies”, traz o ator Cauã Reymond como travesti.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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