De que forma teorias da área da física e astronomia, se conectam com a arte milenar do teatro? O diretor teatral e pedagogo russo Jurij Alschitz tem interesse nisso e busca compreender de que forma as teorias do Big Bang, a expansão e contração do universo, espaço quadridimensional, teoria do caos, efeito borboleta, geometria fractal, só para citar algumas, influenciam no trabalho cênico. Com suas ideias peculiares, ele também acredita na ideia do “teatro sem diretor”, que volta-se para uma nova proposta pedagógica em torno da atuação de um grupo.
Para falar sobre o assunto, ele ministra hoje, a partir das 18h, uma palestra na Escola de Teatro e Dança da UFPA, sobre a heterogeneidade do teatro contemporâneo e essa constante comunicação com elementos de outros saberes. A atividade é realizada pelo Espaço Oficina Assim e faz parte do projeto “Assim em Cena”, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A entrada é gratuita.
Ele está em Belém e ministra, ao lado da diretora Maria Thais Santos, a oficina “O individual e o coletivo”, que segue até 1º de julho. A atividade busca uma troca de saberes e de experiências com os realizadores da cena contemporânea de Belém e reflete como a tradição teatral se transforma, exigindo respeito, mas também novos conhecimentos e experiências.
“O tema geral deste trabalho nasceu da percepção de que todos nós vivemos diferentes teatros. E isso se tornou o principal problema na nossa realidade teatral, a arte que quase nada tem em comum com outras. Falamos línguas diferentes, tanto que do vocabulário teatral está quase desaparecendo a palavra mágica: conjunto. Mas o que é um conjunto, no século 21? É o mesmo de 100 anos atrás?”, questiona o diretor.
Para quem não conhece o trabalho de Jurij Alschitz, ele possui carreira internacional tanto como diretor quanto como formador de atores. Sua origem nas artes cênicas se deu pela renomada escola Gitis, de Moscou. É fundador, ao lado de Anatoli Vassiliev, da Escola de Arte Dramática, também em Moscou, e já coordenou a European Association for Theater Culture, que integra centros de formação teatral na Alemanha, França, Itália e Escandinávia.
Alschitz é autor de vários livros voltados para a arte do ator, como “A Vertical do Papel” e “Quarenta Questões para o Papel” (Ed. Perspectiva) e “O Teatro sem Diretor” (Ed. CPMT). No Brasil, dirigiu a montagem de “Eclipse”, baseada em contos de Antón Tchekhov, com o grupo mineiro Galpão.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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