Em uma noite de sonoridades inéditas, mas bem situadas no gosto musical paraense, Dona Onete, Pinduca e Saulo Duarte e a Unidade lançam novos CDs. O evento ocorre na próxima sexta-feira, 8, a partir de 20h, no Insano Marina Club e inclui a discotecagem de Zek Picotero (PA) e DJ Tide (SP). Um pouco antes, quarta-feira, 6, o álbum de Saulo Duarte e sua banda, chamado “Cine Ruptura”, chega para download e streaming; e no dia 7, o produtor do álbum, o paulista Curumim, realiza um workshop de produção musical em Belém. “Isso (lançar CD na mesma noite que Dona Onete e Pinduca) para mim é motivo de muito orgulho. Me orgulha ser paraense, meu trabalho é a minha forma de colocar meu olhar sobre essa música. Quando as pessoas vêm falar comigo sobre música paraense, interessadas na minha sonoridade, sempre digo que a gente (Saulo Duarte e A Unidade) é só a ponta do iceberg, que temos uma senhora de 77 anos com todo o gás, uma musicalidade incrível, temos Felipe e Manoel Cordeiro, a Luê, com quem acabei de gravar para o disco dela, que também logo será lançado... Tem Pio Lobato, Juca Culatra…”, destaca Saulo. Destaque na cena musical independente, o músico conta que “Cine Ruptura” nasceu da sua vontade de ter um disco que apresentasse “outros lados” da sonoridade de sua banda, que inclui músicos de Fortaleza, São Paulo e Salvador. “É uma mistura que eu queria evidenciar. É diferente de ‘Quente’, nosso último trabalho, que traz um Brasil amazônico, uma homenagem às minhas referências paraenses”, diz ele. O que não significa que Belém não esteja presente. Em conversa com os integrantes do Arraial do Pavulagem, convidados a participar do álbum, Saulo já tinha em mente mostrar a música paraense “que não é aquela para turista ver”, mostrar que não tem só lambada e carimbó. E nisso, acredita Saulo, não podia haver parceria melhor. “O Arraial, para mim, resgata o que há de mais raiz na nossa música”. Assim, com nove canções que sustentam o roteiro do disco, três vinhetas determinam o início, o meio e o fim de “Cine Ruptura”, sendo duas delas - “Arraial” e “Pavulagem” – referências ao grupo. A primeira traz a tradição do samba de cacete, típico das regiões de Cametá e Bragança, enquanto a outra faz uma releitura da música “Mandarins”, do próprio Arraial do Pavulagem. Soma-se a isso que seria difícil, segundo o músico, gravar um disco que não estivesse contextualizado com o Brasil de 2016, “marcado pela ruptura com coisas como a sexualidade, o conceito de família tradicional, com o Brasil arcaico, machista e patriarcal”. Para Saulo, a letra de “Quem Quer Que Seja”, faixa que abre o disco, já consegue refletir todo o conceito pensado para “Cine Ruptura” ao dizer que todos precisam ter garantido seus direitos, desde o mais simples, como tomar sua cerveja e fumar o seu cigarro “sem receio e sem receita”. (Lais Azevedo/Diário do Pará) |
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