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João Bosco prepara dois CDs para o próximo ano

João Bosco tem dois projetos de discos encaminhados - um de inéditas, outro de releituras próprias de canções alheias. Quando se pergunta a ele se os álbuns são sua forma de celebrar os 70 anos, que completa nesta quarta-feira, ele nega - com a naturalida

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João Bosco tem dois projetos de discos encaminhados - um de inéditas, outro de releituras próprias de canções alheias. Quando se pergunta a ele se os álbuns são sua forma de celebrar os 70 anos, que completa nesta quarta-feira, ele nega - com a naturalidade de quem nem vê muito sentido na ideia: “Esses discos não são pelos 70, mas para celebrar o fato de seguir com vontade”, explica Bosco, por telefone, de Lisboa, onde foi passar a semana de seu aniversário depois de ter tocado em Montreux, no domingo.

“O que realmente acho importante não é a idade, mas o desejo de seguir, de fazer música. De estar viajando, tocando, compondo, indo atrás dela. Isso você pode ter aos 40, 50, 70, 80. A minha idade é essa. A música representa quase tudo pra mim, sem ela eu não saberia o que fazer, nem como iria me sentir, porque até agora a vontade não me abandonou. João Ubaldo, meu amigo, dizia: a vontade pode. Ter vontade faz você conseguir. É o que eu diria ao jovem João Bosco e é o que eu, aos 70, procuro lembrar todo dia”, diz.

A vontade segue, o violão se mantém grudado ao peito em casa, mas o compositor explica que a relação com a música ganha outras camadas com o passar dos anos: “A idade é isso, você demora mais para se sentir satisfeito com o que faz. Você desvia muito mais da música do que a encontra. Você se depara com ela e pensa: ‘isso aqui eu já fiz’. Você fica mais exigente. As músicas vão chegando, mas elas exigem um tempo para você ver se é isso mesmo, se aquilo te interessa”, define.

Nessa depuração, Bosco usa um método que traz desde o início de seu caminho como compositor. Nunca usou gravador para registrar novas canções, ideias, fragmentos. Parte do princípio de que, se uma música permanece na sua mente, se ela fica, é porque tem a força para continuar viva. Se ela se perdeu no esquecimento, é porque esse seria seu destino mesmo.


(Com informações de O Globo)

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