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Bandas renovam a cena roqueira de Belém

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Rock. A data foi escolhida para lembrar o Live Aid, um grande evento musical que ocorreu em 13 de julho de 1985 reunindo os grandes nomes do gênero, como Queen, U2, The Who, Led Zeppelin, Black Sabbath, Dire Straits, Davi

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Hoje comemora-se o Dia Mundial do Rock. A data foi escolhida para lembrar o Live Aid, um grande evento musical que ocorreu em 13 de julho de 1985 reunindo os grandes nomes do gênero, como Queen, U2, The Who, Led Zeppelin, Black Sabbath, Dire Straits, David Bowie, Paul McCartney, Eric Clapton, Phil Collins, Elton John, em evento organizado pelo músico irlandês Bob Geldof e o escocês Midge Ure. O objetivo era arrecadar doações para famílias pobres da Etiópia. Se a data serve para lembrar ano a ano a energia pulsante do rock, em Belém essa força alimenta uma cena com um perfil cada vez mais diversificado, que ganha espaço com shows no circuito alternativo, agendas fora do estado e um público comprometido com os artistas.

O paulistano Ton White tem feito, desde o ano passado, temporadas lotadas de shows de rockabilly – uma das primeiras variações do rock surgida nos anos 1950 – na capital paraense. Ele está novamente na cidade e se apresenta hoje, no Bar da Dani, em Ananindeua, e amanhã, no Gratto Empório. Também continua dias 15, no Black Dog, e 16, no Old School e logo após no Studio Pub. Vestido a caráter, com trajes que relembram os velhos tempos nos Estados Unidos, ele canta os clássicos do gênero e também suas canções autorais.

“O rockabilly entrou em minha vida muito cedo, por influência da família mesmo. Tenho várias lembranças de desde bem pequeno ouvir discos do Elvis, Bill Halley, Ritche Vallens entre outros. Sempre gostei muito daquelas músicas dos anos 1950. Sem perceber já estava apaixonado pelo estilo. Aqui em Belém estou me apresentando em dois formatos, acústico solo e também com a banda The Lost Guys, acompanhado pelos amigos Andrey Caldas (baixo) e Ricardo Ramones (bateria)”, diz.

Tom diz que ficou surpreso com a receptividade do público paraense. “Foi um tiro no escuro. Não sabia ao certo por conta desse estilo que faço. Logo ao fim da primeira música do primeiro show fui ovacionado com gritos eufóricos, aplausos e muito carinho. Daquele momento em diante, eu já estava apaixonado por Belém, seus sabores, sua cultura, arquitetura, e o que mais me chamou atenção, o carinho e o jeito que o paraense tem de curtir uma festa como deve ser curtida”, observa.

TRILHANDO PALCOS FORA DO PARÁ

Outro nome que transita nesse cenário underground é a banda de hardcore Teach Peace, em atividade desde 2012, e que traz no próprio nome o que tenta propagar por meio da música: ensine a paz. O EP de estreia “Deviation Like Progress” foi lançado em 2015 e o grupo já prepara outro inédito para 2017. Formado por Thieres Pinheiro Bentes (vocal), Adrian Silva (guitarra/backing vocal), Matheus Borges (bateria) e Hamburguer Love (baixo), o grupo tem músicas sobre violência urbana, guerra às drogas e direitos humanos.

Os rapazes da Teach Peace fazem hardcore com engajamento social e contra a violência. (Foto: divulgação)

“Entendemos que banda não é meramente para tocar, entendemos como crítica política e social, e a música é encarada com esse papel a ser cumprido na cena daqui. Tanto que não escolhemos esse nome à toa. Existem movimentos não governamentais de ajuda às pessoas em situação de pobreza e desigualdade com esse nome, como o Teach Peace Fundation”, dizAdrian Silva.

A banda começou compondo em inglês, mas agora canta só em português, “para ter essa ideia de denúncia do controle social, do semeio de violência do Estado e de suas instituições. Levanta a bandeira de igualdade e não violência”, completa Adrian.

Os jovens do Teach Peace já dividiram palcos com bandas do hardcore nacional como Plastic Fire, Bullet ane, Pense, Aditive, Surra e Dead Fish, agregando o público amante de música punk. Na agenda, além de municípios como Bragança e Nova Timboteua, no interior do Pará, eles têm shows marcados em Santos, Americana e São Paulo.

Os integrantes já tinham bandas no cenário underground de Belém, mas deixaram outros projetos para focar na Teach Peace e, de acordo com Adrian Silva, por mais que todos façam atividades bem distintas no dia a dia, a paixão pelo punk e hardcore os mantêm unidos.

Já os jovens da banda Enfim Nós apostam em uma sonoridade mais folk, com letras que lembram amor e destacam a poesia e o lirismo nas melodias. Formada por Karoline Farias, Jimmy Góes, Bruno Leão e Rodrigo Fardo, o grupo surgiu ainda nos tempos de escola. As ideias musicais foram amadurecendo até que começaram a ensaiar e fazer apresentações, como no Festival Se Rasgum, Rock Rio Guamá e no projeto Casa Aberta.

O desejo agora é gravar um disco completo. “A gente sempre tinha na cabeça a ideia de fazer um som que a gente pouco ouvia em Belém, e o que a gente gostava, como a Stereoscope e La Orquestra Invisível, que acabaram. Hoje a gente ouve muita coisa e faz o quegosta de ouvir. Talvez no final de julho, começo de agosto, a gente tenha a possibilidade concreta de gravar o disco. Temos gravações que estão disponíveis na internet, mas queremos algo mais consistente”, dizRodrigo Fardo.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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