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Flávio Renegado lança disco sobre autodescoberta

Um disco voltado para o autoconhecimento. O rapper mineiro Flávio Renegado traz, no seu terceiro álbum, “Outono Selvagem”, essa volta para si mesmo em busca de compreender as relações humanas e problematizar questões sociais – uma marca do seu trabalho. E

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Um disco voltado para o autoconhecimento. O rapper mineiro Flávio Renegado traz, no seu terceiro álbum, “Outono Selvagem”, essa volta para si mesmo em busca de compreender as relações humanas e problematizar questões sociais – uma marca do seu trabalho. Ele diz ainda ser a abertura de um novo ciclo, como as estações do ano, e que o seu outono particular tem a ver também com o momento de crise política no país: “Caiu a presidente e temos o Congresso mais louco que já existiu”, comenta.

O disco tem canções antigas, como “Rotina”, que conta com a participação de Samuel Rosa, do Skank, e “Só Mais Um Dia”. Diogo Nogueira e Alexandre Carlo, vocalista do Natiruts, também são convidados.

“Esse disco foi um processo de imersão na minha própria vida. A gente passa pela história e não analisa, vive no fluxo maluco da sociedade, levanta, sai para trabalhar, dorme e acorda, e não presta atenção nas coisas simples. Não é para saber o que é certo e errado, mas mostrar o lado o humano, das virtudes, e entender melhor esses paradigmas. Foi uma rica experiência de cair no meu próprio mundo e fazer uma análise crítica, como uma terceira pessoa. Sou taurino, nascido em maio e o aniversário também é uma forma de recomeço. Tem a ver com uma virada de ciclo, e o outono significa isso, as folhas caem e se prepara para o inverno”, diz.

A faixa título é a que resume a sua vida, em ritmo de funk. Polêmico, ele fala da questão racial de forma escancarada. No ano passado, cantou em rede nacional sobre o discurso do ódio aos negros, na música “Mundo Moderno”, que diz “insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista, enquanto a KKK bate panela na Paulista, e eu ainda sonho com o paraíso um mundo sem fronteiras”.

Em “Outono Selvagem”, “Black Star” traz a temática religiosa de matriz africana. Nascido e criado na comunidade do Alto Vera Cruz, zona leste de Belo Horizonte, Flávio Renegado procura refletir sobre o seu lugar nesses espaços, desde quando começou na música, aos 13 anos, quando veio junto a militância.

“Quero falar sobre essa reparação de danos com os pretos. A sociedade pede que a gente seja humilde, mas pô, me pergunto: por que, para que, para quem? Qual o nosso entendimento de humildade? É uma virtude que tem que ser trabalhada o tempo inteiro, a gente tem que se questionar enquanto sociedade. Um exemplo, as cotas. É uma política que todo mundo acha ruim, mas o que a gente fez para não merecer os reparos de mais de 500 anos? Só temos a Polícia Militar na cola e um ensino público ruim. Então, a militância e música vieram juntas, quando participei da associação de bairro. Acho que a arte cumpre esse papel informativo e formador”, revela o cantor.

EMPENHO EM PROJETOS SOCIAIS

Além da música, ele também comanda desde 2009 a ONG Associação A Rebeldia, que recentemente foi instalada na sua antiga casa, no Alto Vera Cruz. Com a ajuda da mãe, ele organiza ações sociais, faz visita às carceragens e centros de detenção de menores e busca organizar eventos multitemáticos, como o 1º Festival de Inverno de Vilas e Favela, que ocorrerá de 19 até 27 deste mês, com programação cultural, como saraus e oficinas de grafite, mas também atividades voltadas para a culinária e para a saúde da família. O momento é para integração dos moradores e ainda para que tenham acesso a serviços gratuitos.

“Fomos para os presídios porque acho que essas pessoas precisam de apoio. Elas não têm acesso a quase nada e estão privadas de diálogo. Queremos pensar em política de socialização, junto à iniciativa privada e mudar esse contexto, senão o cara sai de lá pior do que entrou. A sede agora serve para nos organizarmos melhor, pensar nas ações. Primeiro a gente busca fazer um diagnóstico sobre as demandas da comunidade e depois cria projetos de formação e inclusão no mercado de trabalho por meio da arte e da cultura”, diz o rapper.

CARREIRA

Influenciado pelas letras dos Racionais MC’s, Flávio Renegado lançou em 2008 seu primeiro disco, “Do Oiapoque a Nova York”. Foi germinal e potente: com ele, foi até a França, Venezuela, Cuba e aos Estados Unidos, onde realizou um show marcante no Central Park. De lá, vieram frutos como parceria com Bebel Gilberto. O disco seguinte, “Minha Tribo É o Mundo”, de 2011, revelou sua face urbana, com uma mistura de ritmos. Também está na lista o CD e DVD “Suave ao Vivo” (2014), que teve direção musical de Liminha e Kassin, além da direção artística de Gringo Cardia. Em 2015, o artista lançou o EP “Relatos de um Conflito Particular” com a metáfora dos sete pecados capitais, em sete músicas.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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