Na década de 1970, o bailarino alemão Bernhard Wosien reuniu seus alunos para uma pesquisa sobre danças circulares, com a comunidade da Fundação de Findhorn, na Escócia, entidade que se dedica até hoje ao exercício que possibilite o desenvolvimento de competências humanas necessárias para preservar a vida comunitária, com o respeito a todas as vidas. A partir das pesquisas de Wosien, a prática começou a se disseminar pelo mundo, com o intuito de unir coreografias de diferentes povos e de culturas. Atualmente, a prática é considerada um tipo de dança contemporânea e hoje comemora-se o Dia Mundial das Danças Circulares.
Em Belém, uma programação ocorre hoje a partir das 10h, no Espaço São José Liberto, reunindo três grupos, o Espaço Ananda, Ocara e Roda de Hera, que juntos compõem o Coletivo Ubuntu, sob coordenação da médica e terapeuta Ana Lúcia Rubim. Ana Cláudia Costa, do Ocara, explica que “uma linda teia de buscadores brasileiros a trouxeram para nossa terra, onde encontrou solo muito fértil. E chegaram a Belém do Pará, na nossa Amazônia. Além do acervo de danças tradicionais étnicas que foi redescoberto, muitas danças têm sido coreografadas contemporaneamente com o mesmo fim”,
Ela diz ainda que a diferença entre as danças circulares e as tradicionais danças artísticas é o formato de apresentação e o objetivo, já que na primeira se prioriza o bem estar e a integração entre as pessoas. “No meu olhar, tem a mesma função social e artística, as duas cuidam da beleza interna, da poesia dos movimentos cada uma em sua forma estética e do deleite de quem dança e de quem assiste. Dançamos pela nossa pacificação, pela união dos povos, pela paz planetária, pelas relações mais amorosas, e para celebrar a vida”, diz.
Para a trilha sonora, os grupos costumam utilizar músicas de todos os lugares. “As músicas são parte inerente de cada dança, músicas de todos os povos planetários. Cada dança agrega sua música como forma de dançar sua cultura e etnia próprias, passos coreografados dando suporte à contextualização do que se quer agregar de valores humanos”, explica Ana Cláudia Costa, que diz que a atividade se destina a todas as pessoas que queiram dançar de mãos dadas movimentando a cultura de paz.
Ubuntu: o exercício da cooperação com o outro
Há pouco tempo, grupos de Belém resolveram se unir e formar o Grupo Ubuntu, que significa, na cultura xhosa, da África, “sou quem sou pelo que nós somos”, e reúne atualmente Amanda Mello, Ana Cláudia Costa, Ana Rubim, Athaide Júnior, Augusta Von Paungarten, Angela, Bruno Antunes, Eurico Alves, Edilene Rodrigues, Harpreet Kaur, Jerônimo Iless, Joana Martins, Liani Mouzinho, Lena Mouzinho, Lourdes Carrera, Magno Lins, Márcia Raiol, Mauro Oliveira, Roberta Moda e Sandra Campos, que atuam em um aprendizado constante de cooperação.
“Em nossa organização, há lideranças circunstanciais e rotativas conforme as necessidades identificadas durante o movimento da construção coletiva. Há atividades que são assumidas conforme a vocação e o desejo de cada um, que faz o que pode, como pode. Há prazer na realização das tarefas momentâneas, pois podem ser modificadas a gosto da pessoa que coopera. O Ubuntu tem funcionado como uma preciosa experiência de aprendizagem de compartilhar o poder. Descobrimos com ele o poder que está muito mais relacionado com a conjugação do verbo ‘poder com o outro’, do que o exercício de ‘poder mais que o outro’ e ‘sobre o outro’”, revela Ana Cláudia.
Participe
Dia Mundial das Danças Circulares
Quando: Hoje, às 10h
Onde:Coliseu das Artes do Espaço São José Liberto (Praça Amazonas, s/n, Jurunas)
Quanto: entrada franca Informações: (91) 98883-7970 ou pelo e-mail lenacristinam@gmail.com
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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