Durante o fim de semana, a classe artística, estudantes e sociedade civil em geral deram continuidade ao movimento de protesto contra a extinção do Museu Casa das Onze Janelas, que fica no prédio de mesmo nome, onde o Governo do Estado pretende instalar o Polo de Gastronomia da Amazônia.
A decisão foi considerada arbitrária, sem consulta pública e entendimento sobre a importância do Museu e sua relação com o ambiente do qual faz parte – o Complexo Feliz Lusitânia –, há 14 anos.
As atividades ocorreram ontem, quando, desde às 9h, começou a ocupação do jardim da Casa das Onze Janelas, com atividades como desenho, pintura e performances, que acabaram atraindo quem visitava o espaço. “Nós estamos aqui porque entendemos a arte como um caminho para a prevenção à violência. Além do alimento, da saúde, da segurança, as pessoas precisam de arte”, discursava a artista plástica Lúcia Gomes, aos que chegavam.
Desde o último posicionamento do Estado, por meio de nota da Secretaria de Comunicação (Secom), dizendo que a acusação de extinção do museu por parte dos artistas “não tem qualquer fundamento”, e a após a carta aberta divulgada pelo movimento no último dia 4, pedindo a “revogação do Decreto Nº 1.568, de 17 de junho de 2016, que cria o Polo de Gastronomia da Amazônia na edificação histórica onde está funcionando o Museu Casa das Onze Janelas”, não houve qualquer resposta do Estado.
Durante o ato, os artistas destacaram a necessidade da realização de audiência pública para que o Governo do Estado apresente o projeto, a totalidade da área em que ele será implantado, suas parcerias e as formas de atuação do próprio governo nesse projeto.
“Esse movimento é, antes de tudo, pela garantia do direito que nós temos à cultura, à sobrevivência do Museu. É um movimento que nasceu reativo, mas eu percebo que tende a ir além da reação e se tornar uma reafirmação de valores, do que nós queremos como cultura, que é ocupar esse espaço, fazer dele um museu vivo. E o instrumento mais forte que nós temos para gerar essa resistência é a arte. E a arte não é ‘meia dúzia de artistas’, como eu já ouvi dizer. A arte é da comunidade, esse deve ser um espaço de convivência da sociedade através da arte”, declarou o artista plástico Armando Sobral.
(Lais Azevedo / Diário do Pará)
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