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Obra “Solo de Marajó" ganha palcos do país

Dalcídio pelo BrasilFotos: DivulgaçãoLAIS AZEVEDOA maior saga da literatura amazônica foi publicada por Dalcídio Jurandir, entre 1941 - com “Chove nos Campos de Cachoeira” - e 1978 - com “Ribanceira” -, apenas um ano antes de sua morte. Isso porque, segun

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Dalcídio pelo Brasil


Fotos: Divulgação

LAIS AZEVEDO


A maior saga da literatura amazônica foi publicada por Dalcídio Jurandir, entre 1941 - com “Chove nos Campos de Cachoeira” - e 1978 - com “Ribanceira” -, apenas um ano antes de sua morte. Isso porque, segundo o crítico Benedito Nunes, os dez romances lançados pelo escritor nesse período integram um único ciclo, quer pelos personagens e as relações que os entrelaçam, quer pela linguagem que os constitui. Mas, ainda que a obra seja vasta e rica, “o Brasil não se conhece”, diz o ator Cláudio Barros, do grupo paraense Usina Contemporânea de Teatro.

Cláudio, que começou no teatro em 1976 com passagem pelo Grupo Experiência e o Cuíra do Pará, desde 2009 integra o núcleo de criação do Usina, atuando em “Solo de Marajó”. Neste espetáculo, ele narra sozinho oito pequenas histórias extraídas do romance “Marajó”, o segundo livro dessa saga romanesca deixada por Dalcídio.

E, ao completar sete anos em cartaz, mais do que dar vida a essas histórias, o Usina tem circulado com elas, levando o Marajó por todo o país e voltando com as impressões desta sua própria saga. “Embora a obra de Dalcídio Jurandir seja classificada como regionalista, pelas fortes referências à cultura amazônica, a turnê nos revelou o alcance da universalidade do autor no trato das questões do humano. Em todos os lugares pelos quais passamos, percebemos o quanto os espectadores faziam associações com sua realidade imediata. Afinal, temas centrais da obra, como a miséria e as desigualdades sociais, atingem o país por inteiro, embora com nuances de uma região a outra”, destaca Alberto Silva Neto, diretor do espetáculo.

ESPETÁCULO ESTÁ DE VOLTA

Em sua primeira temporada em Belém após a turnê nacional realizada no ano passado, o espetáculo “Solo de Marajó”, será apresentado nos dias 5 a 7 de agosto, sempre às 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. Os temas das narrativas – baseadas na obra “Marajó”, de Dalcídio Jurandir – vão desde questões de cunho social, como racismo e prostituição, até o universo íntimo das relações amorosas, recheadas de paixão, solidão, ciúme e vingança.

“Solo de Marajó” tem dramaturgia de Alberto Silva Neto, Cláudio Barros e Carlos Correia Santos, iluminação de Alberto Silva Neto e produção de Sandra Conduru. A encenação é ousada, ao assumir o palco nu para valorizar o papel do ator como contador de histórias. Em cena, a palavra é colocada sobre uma detalhada partitura corporal, fruto de pesquisa sobre as histórias de vida do ator e a partir da observação do corpo de pessoas que habitam o ambiente da vida rústica na Amazônia, o mesmo sobre o qual a obra se funda.

Cláudio Barros, ator que realiza o solo, destaca a importância de voltar para casa para uma nova temporada. “Fazer o mesmo espetáculo há sete anos, antes de qualquer coisa, é estabelecer um processo de resistência. Apesar de tudo, continuamos fazendo. Depois, mostrar o trabalho para múltiplas plateias, é a concretização da troca de palavras, percepções e, sobre tudo, um ato de se dizer como homem de teatro da Amazônia. Dalcídio Jurandir é um veículo perfeito para esse movimento”.

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Espetáculo “Solo de Marajó”
Quando: Dias 05, 06 e 07 de agosto, às 20h
Onde: Teatro Universitário Cláudio Barradas (Av. Jerônimo Pimentel, 546, entre D. Romualdo Coelho e D. Romualdo de Seixas).
Quanto: R$ 20 (R$ 10 a meia-entrada).

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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