A Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, vinculada ao Ministério da Cultura, oficializou seu apoio ao movimento de artistas e da sociedade civil em geral em defesa da manutenção do Museu da Casa das Onze Janelas, em uma moção assinada no último dia 7 pelo presidente substituto da entidade, José Paulo Soares Martins. A moção também repudia a ação do Governo do Estado do Pará de desativação do museu, a partir do Decreto Nº 1.568, que prevê que a Casa das Onze Janelas passe a ser ocupada pelo Polo de Gastronomia da Amazônia. O decreto afirma que o acervo do museu de arte contemporânea será transferido para outro local, mas nada foi divulgado a esse respeito.
Para os artistas que têm se empenhado no movimento em defesa da manutenção do museu - que agregou nomes como o fotógrafo Luiz Braga, os artistas plásticos Geraldo Teixeira, Armando Sobral e Lúcia Gomes, e curadores como Eder Chiodetto, do Museu de Arte de São Paulo-, a Casa das Onze Janelas, onde o museu funciona deste sua criação, em 2002, faz parte de sua concepção enquanto espaço de arte. Tirá-lo de lá, portanto, não significaria apenas uma “transferência” de acervo para um novo local, mas a mudança de todo seu projeto enquanto instituição.
A ideia é reforçada pela moção assinada pelo Conselho Nacional de Incentivo à Cultura, que defende que o museu foi criado dentro do projeto de requalificação do patrimônio histórico do núcleo de fundação da cidade, o “Projeto Feliz Lusitânia” – implantado pelo então secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, o mesmo atual titular da pasta –, em um território musealizado. Ou seja, as instalações no edifício histórico do século 18 também foram pensadas para essa função, com suas salas com vãos livres e pé-direito alto o suficiente para abrigar grandes instalações plásticas e projeções. Também na interação com a área externa ao prédio, às margens da Baía do Guajará, que teve obras concebidas para esse espaço, como a instalação “Aninga”, de Osmar Pinheiro. Entre outros detalhes, a estrutura capaz de comportar diferentes formatos de exposições também fez com que o museu se tornasse referência na região Norte no campo da arte contemporânea.
O documento ainda destaca a importância da instituição para a arte no país, já que seu acervo foi formado, principalmente a partir de uma doação do Salão Nacional de Artes, efetivada pela Fundação Nacional de Arte (Funarte), em 1999, além de doações e aquisições de artistas locais, nacionais e internacionais. Entre as peças, estão obras de Luiz Braga, Emmanuel Nassar, Alex Fleming, Rosângela Rennó, Miguel Rio Branco, Miguel Chikaoka, Cildo Meireles, Adriana Varejão e outros.
A moção encerra dizendo que “a CNIC se solidariza à comunidade local pela não desativação de uma instituição educativa e de arte contemporânea consolidada no Norte do país e pertencente, desde sua origem, ao interesse público e não ao interesse privado”.
(Diário do Pará)
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