Jogar é uma prática humana corriqueira e, com os dispositivos móveis, o acesso aos aplicativos tornou-se um fenômeno global. O pesquisador Tarcízio Macedo explica que nem é necessária tecnologia para isso, e que a questão da ludicidade faz parte da formação humana há milhões de anos. Ele acredita que Pokémon Go é um exemplo concreto de como o lúdico tem força esmagadora na nossa vida e nas nossas relações em sociedade. E exemplifica: no último dia 9 de julho, Belém teve pela primeira vez a transmissão da final de um campeonato de ciberesporte em uma sala de cinema e em um teatro da cidade, o Campeonato Brasileiro de League of Legends – outro jogo dos mais famosos atualmente. O Clube do Remo tem representação neste jogo e conseguiu acesso para o campeonato do jogo do ano que vem.
“Participei dessa experiência e as relações são completamente diferentes de se assistir a um filme qualquer no cinema ou uma peça no teatro. Da mesma forma, Pokémon muda a maneira como nós nos apropriamos de espaços públicos, como praças e museus, e como podem tornar esses ambientes mais valorizados. Ao passo que também pode colocar as vidas das pessoas em risco, como estamos acompanhando nos jornais uma série de fatalidades provocadas pela imersão de quem joga”, lembrando o caso de Jerson Lopez, que morreu na Guatemala, baleado quando caçava os Pokemons.
Experiência compartilhada faz sucesso dos jogos
A pesquisa de mercado foi fundamental para saber como desenvolver jogos que pudessem impactar a vida das pessoas a ponto de se tornarem esses fenômenos. Os jogadores já não se contentavam mais com as experiências disponíveis e os empresários e as grandes companhias precisavam entender de que forma, então, chegar até as pessoas.
“Lá atrás, essa indústria aprendeu na força que o consumidor, o jogador, não compraria qualquer produto que estivesse na prateleira”, lembra Tarcízio. O grande aprendizado foi com o crash nos Estados Unidos, na década de 1980, com uma recessão provocada pela produção de jogos com pouca qualidade no quesito da experiência. “Naquele período, fabricaram jogos em série que repetiam o mesmo formato. O resultado foi péssimo para muitos. Hoje, há uma variedade no mercado, mas quantos tiveram um sucesso tremendo como Pokémon Go? Ele é mais uma desculpa, na minha opinião, para estamos juntos com o outro, partilharmos Pokémons, experiências e nos divertirmos. Ele é um vetor de comunhão, de compartilhamento. Talvez, por essa via, se possa compreender o que é isto que o game está fazendo com pessoas ao redor do mundo que já o tem disponível”, diz ele, com a expectativa de saber como esse que se mostra um dos maiores fenômenos da contemporaneidade vai se manifestar aqui pelo Brasil.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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