Aclamado pelo público e pela crítica, o escritor, dramaturgo e jornalista Edyr Augusto lançará em fevereiro de 2017 o seu quarto livro na França, pela Asphalte Editions. “Pssica”, lançado ano passado pela Boitempo Editorial, será traduzido para o francês após “Os Éguas” (1998), intitulado por lá como “Belém” (2013) – com o qual recebeu o prêmio Caméléon de melhor romance estrangeiro, na Université Jean Moulin, em Lyon no ano passado –, “Moscow” (2001), publicado em 2014 e “Casa de Caba” (2004), publicado em 2015. Em 2007, também teve na Inglaterra o lançamento do mesmo livro, com o título “Hornets’nest” pela Aflame Books.
Todos os títulos foram editados na França pela mesma companhia, que, de acordo com o autor, é comandada por jovens que são antenados com a literatura do mundo inteiro. As negociações para mais esta tradução ocorreram durante a Feira de Frankfurt, na Alemanha, quando a maioria dos editores buscam oportunidades de publicar outras narrativas na Europa.
Conhecido pelo gênero noir, Edyr tem obras marcadas pela rapidez dos fatos e velocidade da apresentação de cenários amazônicos, em meio à realidade miserável e do submundo crime, da violência urbana. O uso de termos regionais também confere uma peculiaridade à sua escrita e com isso ao processo de tradução. Por isso, Edyr busca estar sempre em contato com o tradutor das obras, Diniz Galhos. “Ele mantém a cadência e o ritmo”, diz.
O momento é comemorado pelo autor, que celebra o êxtase na carreira. “Você fica ‘todo todo’. É bem diferente de como os escritores são tratados aqui. Lá dei entrevista para o TV, jornal, rádio. Você percebe que as pessoas leram o livro. Em Lyon, falei em um auditório para 500 pessoas, o reitor me recebeu. Tenho ido muito à França, conhecido várias pessoas, circulado. Li milhares de resenhas na internet e as pessoas têm gostado. Para mim é um feito, já é o quarto livro nesse mercado que é um dos maiores do mundo”, comenta.
Ele já esteve no festival Étonnants Voyageurs, (2014), Salão do Livro de Paris (2015), festival de literatura noir Quais du Polar (2015), Salon du livre Les Mots Doubs (2015) e na 9ª Feira do Livro de Caiena. No início do ano que vem, provavelmente voltará às terras francesas para a jornada de divulgação de “Pssica”, na season, ou seja, na estação em que os mercados livreiros começam a se preparar para apresentação de seus novos livros.
O enredo de “Pssica” apresenta a história de Janalice, 14 anos, e mostra de forma cruel o tráfico de mulheres na Amazônia, passando por Belém, Ilha do Marajó e Caiena, na Guiana Francesa, bem como outros crimes como estupros, roubo de cargas nos rios e foi considerado um dos
melhores livros de 2015.
Morador dos arredores da Praça da República, Edyr costuma observar os personagens da janela: policiais, usuários de drogas, prostitutas, cafetões, transeuntes e suas vidas comuns.
“Sou uma pessoa muito urbana, que anda pelo centro da cidade, ouço eles falarem. E o resto é como relatar um filme que vejo, que vou descrevendo na ponta dos dedos. É o texto que vai levando, não sei nunca o que vai acontecer, não sei o fim, sobretudo. Vou escrevendo e as coisas vão acontecendo. Escrevo uma, duas horas por dia, e vou levando, vão surgindo as possibilidades, os caminhos. Também tem as próprias experiências de vida. Se ouço uma história, sou meio vampiro, pulo no pescoço e digo: ‘Vou guardar’”, relata o autor, sobre seu processo criativo.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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