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Nuvem negra sobre o Festival de Ópera

O Festival de Ópera do Theatro da Paz completa seus 15 anos com uma programação pobre e enxuta. O evento foi apresentado na manhã de ontem por seu diretor artístico Giçberto Chaves. O concerto de abertura ocorre no próximo sábado (6), às 20h, fazendo uma

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O Festival de Ópera do Theatro da Paz completa seus 15 anos com uma programação pobre e enxuta. O evento foi apresentado na manhã de ontem por seu diretor artístico Giçberto Chaves. O concerto de abertura ocorre no próximo sábado (6), às 20h, fazendo uma homenagem aos 120 anos do maestro Carlos Gomes. A programação segue até o dia 1º de outubro, tendo como destaque “Turandot”, de Giacomo Puccini, a única ópera, de fato, desta edição. Isso já demonstra que nada será como em anos anteriores.

Entre as mudanças mais perceptíveis desta edição, está o fato de que todas as apresentações artísticas e palestras serão Theatro da Paz. Na edição de 2015, por exemplo, a Igreja de Santo Alexandre recebeu a ópera “A Ceia dos Cardeais” e uma palestra com Mauro Chantaul; e o cantor paraense Augusto Ó de Almeida falou ao público na Fundação Carlos Gomes.

A mudança inclui, ainda, o concerto de encerramento. Tradicionalmente realizado com pompa e circunstância ao ar livre, na Praça da República, para acesso da população que não tem por hábito frequentar o teatro ou recursos para pagar o valor do ingresso – entre R$ 10 e R$ 80 -, ele está previsto para ser levado para dentro do teatro.

VERBAS CURTAS

Não foram declarados os valores a serem investidos na programação, mas a desculpa para justificar o tal encurtamento das verbas, claro, foi computada à crise econômica. “O Brasil vive uma crise, principalmente na cultura”, desculpou-se Gilberto Chaves, tentando minimizar os impactos do anúncio de uma programação nem de longe grandiosa.

O próprio diretor relembrou ainda que, em edições anteriores, o festival chegou a ter três grandes óperas, todas superproduções, com diretores convidados - como Fernando Meirelles, no ano passado, que estreou na direção de sua primeira ópera - e produção importada do eixo Rio-São Paulo.

Evento de uma ópera só

O concerto de abertura do festival, dia 6, às 20h, será com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), que completa 20 anos e será regida por seu maestro titular, Miguel Campos Neto. O repertório terá como solista Adriane Queiroz, soprano paraense residente em Berlim. Responsável por elaborar o repertório, ela optou por mostrar não só a parte musical, mas abordar os tipos diferentes de mulheres na ópera.

“Rainhas, escravas, mulheres à frente do seu tempo. Começamos com Magda, de Puccini, que tinha uma liberdade que fugia dos padrões; e terminamos com Ilára, de Schiavo, que, obrigada a casar com pessoa que não ama, luta pelo amor”, antecipa Adriane. Na ocasião, serão lembrados ainda os 120 anos da morte do compositor Carlos Gomes, com a segunda parte do programa dedicado a ele.

De 26 a 28 deste mês, será apresentada a cantata “Los Pájaros Perdidos – O Tempo no Tango”, baseada na obra de Astor Piazzolla e Carlos Gardel, com 11 bailarinos paraenses e quatro de São Paulo – estes, especialistas em tango – e participação do coreógrafo Luis Arrieta, além da cantora mexicana Eugenia León, do tenor brasileiro Fernando Portari e do bandoneonista argentino, Martín Mirol.

SEM ESTRELAS

Já no mês de setembro, será apresentada a ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini, a única da programação de um festival que se diz “de ópera”. No elenco estão a soprano Eliane Coelho e outros cinco solistas do Teatro Municipal de São Paulo, oito cantores paraenses, a OSTP, dirigida por Miguel Campos Neto, e o Coro Lírico do Festival de Ópera.
É de se estranhar que, em um festival que sempre convidou diretores estrelados de fora do Estado e até do País a peso de ouro, dessa vez a organização tenha sido forçada a recorrer a artistas locais. Tanto que o próprio maestro Miguel Campos Neto comentou sua participação frequente nesta edição, incluindo sua regência tanto na Cantata “Los Pájaros” quanto na ópera “Turandot”, como uma oportunidade surgida pela crise.

“Até onde tenho notícia, essa é a primeira edição do festival em que todos os espetáculos serão regidos pelo mesmo maestro. E eu vejo isso como uma oportunidade, não como um fardo, de reger desde a abertura até o encerramento”, disse.

(Diário do Pará)

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