Bacuri é como se chamam os pequenos, no linguajar popular paraense. Inspirado nesse nome, o publicitário Yuri Moura decidiu chamar assim a empresa de roupas infantis criada em 2015 com o objetivo de criar peças com temáticas relacionadas à cultura regional. A mais recente coleção, “Selva Pop”, destaca os animais da floresta em desenhos estilizados, feitos em parceria com o Estúdio Jambo. A loja de e-commerce Bacuri é uma das selecionadas para compor o projeto Chama Empreendedora, que apresentará, durante o período de realização da Olímpiada, exposição de produtos paraenses no hall da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), ficando em cartaz até dia 16 de setembro.
A seleção de ouro foi escolhida após um evento estadual realizado em abril, que cadastrou em torno de 26 empresas do Estado para participar do evento no Rio e, destas, confirmaram participação na exposição, além da Bacuri, a Celeste Heitmann, de design de Bolsas e Joias; a Miriti da Amazônia, de artesanato, do município de Abaetetuba; e a Boto Sorveteria, de Santarém.
Com a participação no evento, Yuri Moura comemora a expansão das fronteiras regionais para seu empreendimento têxtil. “Será uma oportunidade de mostrar nossas produções, que têm essa marca da regionalidade, para fomentar a cultura e a economia criativa local com produtos autorais”, diz.
“Nessa coleção, escolhemos cinco animais para redesenhá-los de maneira diferenciada. Tem até um bicho-preguiça que é nadador e acho que até casou com a Olímpiada”, brinca o publicitário, que trabalha de forma integrada com outros profissionais criativos para compor as coleções.
Todos os olhos voltados à produção amazônica
Outra representante paraense no evento é a artista plástica e designer de bolsas e joias Celeste Heitmann, que participa do showroom com suas bolsas feitas de couro e que têm aplicação de estampas com reutilização de filtros de café usados – uma técnica que ela desenvolveu há mais de oito anos.
“Estava pensando em como fazer moda sustentável e uma vez vi o filtro na lixeira da pia e comecei a pensar se aquele material poderia render algo. Passei a fazer testes e a costurá-los e deu certo”, conta Celeste. Ela escolheu desta vez, para comemorar os 400 anos de Belém, os azulejos históricos para compor as aplicações.
Autodidata, ela mesma recolhe os materiais e tira toda a borra de café, lava, seca e passa, para garantir que o material possa ser usado a partir da técnica que desenvolveu. “Tem as nuances da marca do café, que variam do mais claro ao mais escuro. Posso usar natural ou pintar à mão. As estampas que uso agora me inspirei nos azulejos do Palacete Pinho. Fica como uma manta, já que preparo com cola e verniz, e reforço com a costura”, descreve Celeste, que é portuguesa, mas mora em Belém há mais de 50 anos.
VITRINE
O projeto Chamma Empreendedora foi criado pelo Sebrae do Rio de Janeiro e, para o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Fabrizio Guaglianone, será uma oportunidade ímpar de vitrine para a produção paraense. “O mundo inteiro estará com o olhar voltado para o Brasil. E os pequenos negócios têm nisso uma grande oportunidade de exportar seus produtos e serviços. É em torno desse objetivo comum que foi criado esse projeto”, destaca .
Segundo Keyla Reis, gerente de mercado do Sebrae-PA, o importante é demonstrar o potencial que cada marca tem para exportação. Ela destaca que o potencial criativo dos produtos amazônicos é o principal elemento para apostar em novas relações comerciais.
“São áreas como moda, artesanato, alimentação e decoração que estarão disponíveis para o mundo todo. Queremos aproveitar esse momento de intenso fluxo de pessoas para gerar novas oportunidades. A Amazônia desperta muito interesse nesse sentido”, diz Keyla.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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