Desde a década de 1970, quando comprou uma máquina analógica de 36 poses, o reconhecido advogado criminalista Américo Leal iniciou uma verdadeira paixão pela fotografia. As paisagens e registros das mais diversas formas de expressão da cultura paraense sempre foram o foco de suas lentes e agora são apresentadas em sua primeira exposição: “Natureza Minha”. O vernissage ocorre hoje, 9, às 19h, na Galeria Manoel Pastana, do Museu do Estado do Pará (MEP), permanecendo aberta para visitação até o dia 30, com entrada franca.
Em 20 imagens, a mostra traz temáticas variadas. “Faço o registro de elementos da cultura e da paisagem amazônica como a panacarica, comum no Baixo Amazonas e armada na fase da lua, quando sabem que vai dar muito peixe. É uma barraca que dura por três dias e depois é abandonada. Gosto muito [dessa foto] porque expressa tudo isso. Você olha e sabe que ela é feita com muito esmero e que, quando vier a maré de lua, vai ser levada. É uma coisa que aflora bem a nossa cultura”, comenta Américo Leal.
A partir de um arquivo com mais de 60 mil imagens, a natureza se apresenta em variadas versões e a água aparece frequentemente, expondo a alma de um paraense acostumado a viver rodeado pelos rios. E Américo não nega: “sem água não existe beleza”. Nas horas em que pode se dedicar a essa paixão, o advogado também se diz atraído por um aspecto muito importante da fotografia: a luz. “Sempre gostei do momento em que a luz do sol tem mais cores – de manhã cedo, antes das 7h, e ao entardecer, depois das 17h”, diz.
Os paraísos paraenses como o Marajó e Marapanim apresentam tal luz de forma ainda mais interessante, ressalta o fotógrafo, que se inspira em amigos como Geraldo Ramos e João Ramid. “São pessoas com quem falo de fotografia. Nas minhas fotos gosto de registrar locais onde não existe ou não se identifique a presença do ser humano, ou então, quando existe a presença dele, opto por uma fotografia que revela a cultura”, descreve. Nestes casos, encaixam-se registros de barcos, canoas a vela típicos da região amazônica e pescadores colocando suas redes na água.
“Ainda não aprendi a conviver com a terminologia ‘artista’. Estou meio espantado com a coisa”, brinca Américo, sobre sua primeira exposição. Conhecido por sua atuação como advogado criminalista especializado em Tribunal do Júri, esta primeira mostra pode ser um bom caminho para que sinta mais a vontade com o outro - e mais poético - lado de sua biografia.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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