Ao longo de dois anos de várias atividades, como leilões, exposições e oficinas destinadas à comunidade, o Centro Cultural do Carmo promove hoje, das 17h às 22h, um evento para comemorar sua trajetória e o cumprimento de sua missão ao longo desse tempo. “Desenvolver um trabalho de arte como fator de transformação, difundindo a cultura e a identidade paraense em todas as suas vertentes”, como declara Natália Azevedo, produtora cultural e jornalista da instituição.
Contemplando a beleza singular da Praça do Carmo, ao som do DJ Fernando Wanzeler, que vai compor com muito jazz, soul e música brasileira no melhor do vinil e abrir espaço para convidados, o público ainda vai conferir o espetáculo “Revolução para Nunca Mais Adeus”, da Cia. de Dança Caminhos. No ambiente do Centro Cultural, será possível conhecer novas marcas e objetos criativos de artesãos locais, como acessórios, roupas, calçados, comidas exóticas, esculturas em miriti e em barro e bonecos de pano, todos disponíveis para venda.
“A gente tem tanta coisa bacana que não é explorada… Às vezes, as pessoas pagam caríssimo numa coisa de fora, quando o nosso Estado está em alta. A gente teve uma minissérie (‘A Lei’) sendo filmada aqui, as matérias-primas da Amazônia estão sendo muito procuradas para trabalhos artísticos, para a gastronomia... Nada mais justo que aproveitar esse momento e mostrar que o melhor está aqui mesmo”, comenta a produtora.
Acessórios autorais da Pé de Chita (Foto: Divulgação)
Ocupação artística dá vida à cidade
Entre os belos trabalhos que ganham destaque no evento está a produção recente do artista paraense Ruy Santa Helena. Diretor de arte premiado com o Kikito de Ouro no Festival de cinema de Gramado com o curta “Ribeirinhos do Asfalto”, ele é também um artesão cuja especialidade são esculturas de madeira e acessórios inspirados na arte plumária dos índios Urubu Kaapor, do Rio Gurupi, fronteira dos Estados do Pará e do Maranhão.
Além dele, a grife de acessórios Tita Maria, conhecida pela combinação de estilos e cores e por ser uma das favoritas da cantora Gaby Amarantos, também estará no evento. Assim como Ângelo Saci, criador de bonecos inspirados nas lendas amazônicas, um trabalho realizado com tecido e que resgata personagens como a iara, o saci, o curupira e a matintaperera. Tudo acompanhado pelo som do DJ Fernando Wanzeler, participante do coletivo Black Soul Sambam, e da dança da Cia. Caminhos, em um espetáculo que mistura o teatro e a dança abordando histórias vividas na época da ditadura por paraenses.
O projeto socioambiental de gastronomia sustentável Toró participa do evento (Foto: Divulgação)
“Isso também é um pouco do que o Centro Cultural sempre propôs: dar uma nova chance para o centro histórico da cidade. Antigamente, aqui, tinha a ‘Seresta do Carmo’, todo mundo ia, ocupava a praça; e agora a gente sentia que o centro vinha sendo abandonado por causa da falta de movimentação, da violência. O evento será uma oportunidade das pessoas voltarem a frequentar aqui, de encontrar um ambiente superagradável, leve”, destaca a produtora.
A organização do Centro Cultural afirma que tem visto um bom resultado desse esforço, em especial com a realização contínua de atividades junto à comunidade do Porto do Sal, seu vizinho. Prova disso é que uma nova atividade cultural já está agendada: durante o final do mês de agosto e setembro, Almir Trindade deve realizar uma exposição no espaço e ministrar oficina de moda e customização de roupas, culminando em um desfile.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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