Está tudo pronto e o roteiro delas já foi determinado. No sábado, 20, a capital paraense amanhece sendo o palco do maior evento de arte a céu aberto do mundo, a CowParade Belém 400 anos, com vaquinhas espalhadas por vários pontos da cidade.
Engajadora, a ação promete revolucionar o cenário urbano e levantar recursos para projetos sociais através de um grande leilão das vaquinhas customizadas.
Com lançamento na noite de amanhã, às 19h30, no Parque da Residência, alguns convidados já terão a oportunidade de conhecer as 50 vacas pintadas por 49 artistas paraenses selecionados, além da vaca doada para que as crianças do Curro Velho pudessem também expressar sua arte.
Será a única chance de ver todas as obras reunidas antes da mostra se espraiar pela cidade, incluindo a “Vaca-Arara”, que ficará em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, na Almirante Barroso, e que teve sua arte escolhida pelo DIÁRIO.
“A gente está muito feliz com a criatividade dos artistas paraenses, vamos ter uma edição linda em Belém. Todo o Estado está muito bem representado com elementos da cultura popular, da indígena, da natureza, da herança portuguesa...”, elogia Catherine Duvignau, responsável pela CowParade no Brasil, dando algumas pistas sobre as temáticas exploradas pelos artistas.
A grande exposição vai seguir até o dia 20 de setembro, quando as peças serão retiradas das ruas. Só então, de 24 de setembro a 3 de outubro, as vacas serão novamente expostas juntas, desta vez no Shopping Bosque Grão-Pará, até culminar no grande leilão no dia 4 de outubro.
O lance mínimo será de R$ 5 mil, sendo que os valores arrecadados serão destinados à Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia - Avao, à Associação da Pia União do Pão de Santo Antônio e às Obras Sociais da Paróquia de Nazaré, instituições tradicionais e reconhecidas por seus trabalhos assistenciais no Estado.
Em oito edições brasileiras, o valor mais alto já alcançado em um leilão da CowParade foi na de Porto Alegre, na qual uma única peça atingiu a marca de R$ 90 mil. Ao todo, a ação registrou mais de R$ 5 milhões em doações, além de ajudar a dar visibilidade à cena artística contemporânea de diversas capitais, entre elas Curitiba, Belo Horizonte.
Pluralidade de temas

(Foto: Jader Paes)
Entre jovens e consagrados artistas da cena paraense, além de profissionais de áreas afins, como o design, a arquitetura e a fotografia, a produção que chegou às mãos do comitê que selecionou os projetos de customização das vacas foi diversificada em temas, técnicas e materiais utilizados.
Entre os artistas envolvidos estão Moara Brasil, quetrabalhou com estêncil de penas, misturando elementos dos grafismos dos índios kaipó, assurini, entre outras etnias ameríndias, dando vida à sua “Vaquíndia”.
Há também projetos como o do arquiteto Rodrigo Lauria, com a sua “Vaçaí”, e de Pablo Mufarrej com sua inspiração na arte abstrata brasileira e na arte urbana, além de Patrick Sandre, que apresenta ao público a “Vakaiapó”.
Será possível ainda ver com novos olhos e novo formato – de vaca, especificamente– o trabalho de artistas como Elieni Tenório, Jorge Eiró, Emanuel Franco, GeraldoTeixeira, José Fernandes e Michelle Cunha, cada um com sua própria técnica já bemconhecida pelo público local, mas com certeza nunca acompanhada do inusitado suporte de estar em uma vaca de fibra de vidro tendo como galeria praças, shoppings ou mesmo grandes avenidas.
(Lais Azevedo / Diário do Pará)
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